miércoles 10 de febrero de 2010


O trabalho pretende discutir as relações entre educação e medicina no Brasil
oitocentista, notadamente no município da Corte. Recorre às teses desenvolvidas
na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro – FMRJ para compreender como o
discurso médico daqueles anos tinha na educação um dos seus principais vetores
de intervenção social. Nesse sentido as escolas representavam para o campo médico
um lugar prioritário para a disseminação das suas concepções sobre higiene,
saúde, corpo e educação escolar.

lunes 8 de febrero de 2010


INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA LINHA DE PESQUISA: POLÍTICA E SOCIEDADE
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO
UMA IDÉIA DE CIDADE ILUSTRADA AS TRANSFORMAÇÕES URBANAS DA NOVA CORTE PORTUGUESA
(1808-1821)
MARIETA PINHEIRO DE CARVALHO
Diversos são os registros que tratam da falta de segurança no Rio de Janeiro.243 A desordem nas ruas era, muitas vezes, provocada por uma sub-população que vivia à margem da sociedade. Negros e pardos, escravos ou forros, transformavam-se nos capoeiras que, munidos de navalhas, facas e paus, assolavam as vias da nova corte.244
Em uma de suas cartas endereçadas à família, Luiz Joaquim dos Santos Marrocos comentava o cotidiano violento da cidade:
Nesta cidade e seus subúrbios temos sido muito insultados de ladrões,
acometendo estes e roubando sem vergonha, e logo ao princípio da noite, de sorte que têm horrorizado as muitas e bárbaras mortes que tem feito; em 5 dias contaram-se, em pequeno circuito, 22 assassínios e em uma noite, mesmo defronte de minha porta, fez um ladrão duas mortes e feriu o terceiro gravemente. Tem sido tal o seu descaramento que até avançam a pessoas mais distintas e conhecidas, como foi o próprio chefe de polícia. O chefe de divisão,
José Maria Dantas, recebeu por grande favor duas tremendíssimas bofetadas, por cair no erro de trazer pouco dinheiro, depois de lhe roubarem o relógio e etc. Além disto, têm degolado várias mulheres ... 245
…………………………………………….

A vigilância da cidade durante as noites foi facilitada por intermédio da ação da Polícia, no sentido de expandir a iluminação pública. Em memória escrita após deixar o cargo, Paulo Fernandes Viana demonstrou as providências tomadas nesse sentido:
criei e sempre fui aumentando a iluminação da cidade, não só das ruas dela, mas e principalmente com todo o esplendor no paço da cidade, no da quinta da Boa Vista, e na praça e casa das Laranjeiras, onde a Rainha, Nossa Senhora, fixava por tempos a sua residência.345
A iluminação noturna, entretanto, não foi suficiente para findar com a prática de delitos pela cidade. Informações sobre furtos, roubos e assassinatos, bem como de confusões nas ruas, encontram-se facilmente na documentação da Polícia.346 Por um ofício de 26 de agosto de 1811, percebe-se que indivíduos davam tiros e usavam armas pelas ruas, atitude esta reprimida por lei.347 Em 1814, por exemplo, houve uma desordem efetivada por um rancho de capoeiras no bairro da Candelária. Para esse acontecimento, Paulo Fernandes Viana expediu ordens ao juiz do crime do bairro para fazer a identificação de quem eram os possíveis contraventores, e, depois de
descobertos, aplicar os respectivos castigos, que, nesse caso, seriam o açoite e a prisão.348

243 Veja-se, por exemplo, John Luccock. Op. Cit., p.90-91; e T. Von Leithold e L. Von Rango. Op.Cit.,
pp. 45, 91-93.
244 Thomas H. Holloway. Polícia no Rio de Janeiro: repressão e resistência numa cidade do século XIX.
Rio de Janeiro: Editora FGV, 1997, pp.52-53.
245 “Cartas de Luiz Joaquim dos Santos Marrocos...”, 28/9/1813, p.163.
345 “Abreviada demonstração dos trabalhos da Polícia ... .” , p. 375.
346 Ver por exemplo, ANRJ, Polícia da Corte, códice 323, vol.1, fl. 18v; códice 329, vol. 1, fl. 86; códice
329, vol.3, ofício de 9/2/1815, dentre outros.
347 ANRJ, Polícia da Corte, códice 329, vol. 1, fls. 84v-85.
348 ANRJ, Polícia da Corte, códice 329, vol. 2, fl.164, 20/03/1814.

lunes 1 de febrero de 2010

(Fado e Banzé ,danza de pretos)Savate,Fadistas, Jogadores de Pau e Capoeiras


História do fado Pinto de Carvalho
Editor
Editorial MAXTOR, 1903
ISBN
849761559X, 9788497615594
N.º de páginas
270 páginas

Clubes esportivos e recreativos em Niterói – RJ

Clubes esportivos e recreativos em Niterói – RJ
MÁRIO RIBEIRO CANTARINO FILHO
Capoeira
1889 – 1919 Em artigo publicado no jornal “O Estado” de Niterói, em 1919, Salomão Cruz referiu-se à capoeiragem. O autor, sobre a capoeira praticada em Niterói, escreveu que “era como o futebol de nossos dias – um esporte predileto dos rapazes, e a ele se juntava também o da natação”. O articulista ressaltou o desenvolvimento que a natação e o futebol vinham apresentando nas primeiras décadas dos anos 1900. O ponto de encontro dos capoeiras era perto da Praia da Boa Viagem, com a atividade em plena praia, no dizer de Salomão Cruz. Os grupos mais conhecidos eram os Guaiamus, no bairro de São Lourenço e adjacências, e o Nagoas, nos bairros de Icaraí e Barreto. Eram famosos os capoeiristas Herculano, Garcia, João Carapuça,
Carlos Sabido, Ernesto Relojoeiro, Américo Capenga, Moleque Cristóvão e Cipriano, sendo este morto por João Bacalhau, em um quiosque na Rua da Praia, em 1904. Cipriano era o capanga do ator Leopoldo Fróes. Durante os festejos do Carnaval, eram os capoeiras presos pela polícia, dando tranqüilidade à população niteroiense. A capoeira declinou no início da República, em virtude da perseguição que sofreram os seus praticantes, no tempo em que Sampaio Ferraz esteve como Chefe de Polícia, no Rio de Janeiro, então Capital Federal. Durante o Governo Provisório do Marechal Deodoro da Fonseca, no período de 1889 a 1891, era desejo do Presidente extinguir a capoeiragem na cidade. A campanha foi forte e os desordeiros capoeiras foram presos
e enviados para a Ilha de Fernando de Noronha. Tal fato deve ter repercutido na Capital Fluminense. As informações de Salomão Cruz, citadas por Almeida e Wehrs, no que se refere aos grupos de capoeiras Guaiamus e Nagoas, em Niterói, não coincidem com as informações de Paiva e de Marinho, sendo que o primeiro destes registra Nagôs e o segundo escreve Ganoas e, para ambos os autores, os grupos citados estavam no Rio de Janeiro.
http://www.atlasesportebrasil.org.br/textos/147.pdf

Agenor Sampaio -Sinhozinho


CAMPEÃO DE FORÇA
- Em 1910, ganhei um torneio de força, organizado pelo Tiro Federal e que tambem foi disputado pelos inferiores e praças do nosso Exercito. Serviram de juizes das respectivas provas o dr. Fernando Soledade e o dr. Alvaro Zamith. Em 1912, ingressei no Sport Club Mangueira, onde joguei no primeiro team de football. Foi quando se começou a praticar o athletismo no saudoso club rubro-negro. Participei de diversas provas pelo Mangueira, em festas do Rio Cricket Athletic Association, de Nichteroy. Em 1913, Zéca Floriano, o grande athleta brasileiro, organizou um campeonato de luta romana. Entre 15 lutadores, conquistei o 8° logar, embora o meu peso fosse sómente de 75 kilos e o mais leve dos meus adversarios tivesse "apenas" 102 kilos. Participaram desse campeonato, entre outros, João Baldi, José Floriano, Cesario, Petrassini, Montagna, e o famoso negro Dick. Em 1915, voltei a jogar football pelo Mangueira, e, no anno seguinte, alistei-me nas fileiras do Club Gymnastico Portuguez e ganhei o campeonato dos leves, de pesos e halteres, tendo feito 87 kilos ao "developpé". Em 1917, conquistei o Campeonato do Rio de Janeiro de pesos e halteres, de todas as categorias, o que se verificou ainda em 1919 e 1920. O campeonato não foi disputado em 1918, em virtude da grande epidemia de grippe.

jueves 28 de enero de 2010

NELSON LIMA
DANDO CONTA DO RECADO
A dança afro no Rio de Janeiro e as suas influências
Rio de Janeiro
20 de agosto de 2005

3.3.Autos , danças de salão e de performance
O bumba meu boi conta a saga do vaqueiro e boiadeiro através de uma interjeição - “bumba”, como a pancada do boi furioso contra o vaqueiro. Sua dança é teatral ou circense , com o bailarino adornado como boi correndo e imitando o boi. Divide-se nas seguintes partes: apresentação festiva , assassinato , testamento e ressurreição do boi. Concentra-se em São Luís do Maranhão , mas se propaga desde o Pará por todo o interior do Brasil como boibumbá , boi de mamão e outros nomes.
O maxixe como dança de salão é sucessora da polca , que não é brasileira , o próprio nome remetendo à Polônia. Lima Barreto em “Clara dos Anjos” descreve a polca como uma modalidade musical de grande sucesso em festas nos subúrbios cariocas. Somada a polca à rítmica habanera influenciada pelo Lundu do Brasil-Colônia surgiu o maxixe como dança de par com grandes volteios e contorcionismos..
O frevo,originalmente conhecido como dança do passo , é uma dança de origem pernambucana que apresentada à bailarina Eros Volúsia em 1937 é chamada por ela de “a grande dança ginástica do Brasil” tendo-a inspirado a propor um “bailado brasileiro”. Os sofisticados movimentos do frevo são chamados genéricamente de “passos” feitos pelo bailarino descalço segurando um pequeno e colorido guarda-sol . Alguns deles : tesoura , dobradiça , jocotó , urubú malandro , siri sem unha ... A origem desses passos é atribuída ao conjunto de capoeiras que protegia os cordões carnavalescos da multidão e de rivais na primeira década do século.
http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ea000104.pdf

martes 26 de enero de 2010

CAPOEIRA
Publicado na Folha da Noite, sábado, 18 de fevereiro de 1961.
Neste texto foi mantida a grafia original
RUBEM BRAGA

Leio com interesse um livrinho de 1927, editado na Bahia, "Ginastica Nacional", que talvez não seja inutil nestes tempos. O autor chama-se A. Burlamaqui, mais conhecido por Zuma, um belo rapaz que pretende elevar à dignidade do boxe e do jiu-jitsu o nosso jogo da capoeira. Faz o historico dessa luta e explica seu nome pelo fato de ser nas capoeiras do interior que os negros, quando apareciam os soldados para prendê-los, aplicavam esses golpes. A capoeira tem, assim, uma "origem santificada", pois está ligada aos primeiros esforços para a libertação dos escravos no Brasil. Nas fotografias que ilustram o livrinho, os jogadores aparecem de peito nu, calções até os joelhos e botina. O regulamento diz que devem ser usadas botinas, pois sapatos caem do pé no decorrer da luta. Muito humanitariamente, prescreve que as botinas não devem ter botões e sim cordões e não devem ter na sola pregos salientes, nem chapas de metal. O mais que podem levar são barras transversais, ou rosetas de borracha que não salientem mais de cinco milimetros. Os golpes são numerossos, e com eles "poderemos acometer os demonios". A rasteira, com sua variedade "corta-capim"; o "rabo de arraia", com o qual "o nosso Ciriaco venceu o japonês com seu jiu-jitsu"; a cabeçada cujo efeito é "demasiado terrivel"; o "facão", a "banda de frente', o "baú", que é dado com a barriga; o "rapa", a "tesoura", a "queixada', que consiste em um ponta-pé no queixo; o "dourado", o "escorão", em que se simula um recuo para dar um ponta-pé na barriga do sujeito; a "baiana", o "passo de cegonha", o "tombo de ladeira", a "xulipa", a "chincha" ("corre-se para o inimigo como a abraçá-lo, e, agachando-se rapido, puxa-se as pernas dele, abaixo dos joelhos, ajudando-o a cair com uma cabeçada"), o "me esquece", o "voo do morcego" e o "suicidio". Este ultimo é original e terrivel, porque se o inimigo estiver armado de punhal ou faca, suicida-se infalivelmente." O autor até sente escrupulos em contar sua tecnica: "talvez faça mal em descrevê-lo". Felizmente o livrinho ensina tambem os contra-golpes, alguns violentos. E, para finalizar, ensina os chamados "golpes de tapeação", como a pisadela no pé do adversario, o olhar falso, o gesto de fingir que se vai tirar com o pé qualquer coisa do chão, para que o adversario se descuide um instante. E ainda este golpe, evidentemente pouco elegante, "finge-se que se vai cuspir no adversario, fazendo-o fechar os olhos e aí aproveita-se a occasião dando-lhe o merecido castigo." Nas gravuras, os jogadores aparecem não apenas de botinas como de meias e ligas, o que tambem não me parece muito elegante. Mas nem a capoeira, nem a politica são, afinal de contas, coisas de muita elegancia.
http://almanaque.folha.uol.com.br/rubembraga2.htm
EDUCAÇÃO FÍSICA E REORDENAMENTO NO MUNDO DO TRABALHO:
Mediações da regulamentação da profissão
Por Hajime Takeuchi Nozaki
sob a orientação do Prof. Dr. Gaudêncio Frigotto
Niterói-Maio de 2004

Assim sendo, além da sua mercantilização, um processo que mediou a capoeira, enquanto conformação ao capitalismo avançado, foi o da sua desportivização. É possível que um dos aspectos determinantes para a identificação desta prática enquanto conteúdo desportivo seja a sua reformulação, a partir da década de 30, sustentada por um interesse do Estado brasileiro em legitimar práticas que compactuassem com seus ideais higienista, eugenista, militarista e nacionalista (Mello, op. cit.; Reis, op. cit.)321. Assim, a capoeira modificou sua prática e seu ensino, geralmente marginais, para uma sistematização realizada em recintos fechados e ministrada por professores ou mestres que a ensinavam utilizando-se de metodologias criadas por si próprios ou adaptadas de modalidades desportivas. Neste ponto, Mestre Bimba tem fundamental importância por ter criado a capoeira regional, com elementos provenientes da escola, tais como a formatura. Já os angoleiros, cuja expressão representativa era o Mestre Pastinha, buscavam preservar as tradições daquela manifestação, porém adaptando-a para a legalidade, ou seja, retirando-a de ações marginais tais como a briga de rua, valentia, entre outras (ibid.; Silva, op. cit.).
Mais à frente, na década de 70, outro aspecto determinante foi a elaboração de um regulamento técnico para competições322 e a incorporação da capoeira à Confederação Brasileira de Pugilismo, em 1º de janeiro de 1973. Já a Confederação Brasileira de Capoeira surgiu em 23 de outubro de 1992 (Bogado, op. cit.; Falcão, 1998)323. Os defensores da desportivização da capoeira partiram de dois argumentos centrais. O primeiro deles era ligado à defesa da normatização desportiva da capoeira, tendo em vista que ela seria o único esporte genuinamente nacional. Já o segundo, se baseava na própria preocupação de sistematização das suas técnicas, com o intento de afastar o surgimento de capoeiras que não respeitassem a tradição da área. Neste ponto, é ilustradora a declaração do professor Carlos Senna, estudioso da área324, por ocasião da aprovação do primeiro regulamento técnico da capoeira, no Conselho Nacional de Desportos, em maio de 1973:
“Devemos criar de imediato um método de ensino único para a prática e o estudo da capoeira. Esse método, ou melhor, os ensinamentos devem ser um só para todos aqueles que se dedicam ao ensino da capoeira, a fim de evitar a proliferação de falsos professores que ficam inventando moda e com isso prejudicando sensivelmente o respeito [à] capoeira” (apud Pessoa, 1973, [s/p]).
É possível perceber, como no caso do yoga, a preocupação em resguardar a área dos praticantes mal intencionados e que não respeitariam a sua tradição. A solução apontada para tal impasse, à época, foi a desportivização da capoeira325. Não obstante, tal desportivização veio acompanhada justamente da descaractrização da área, na proporção em que transformou a capoeira em mercadoria, além de inibir a sua diversidade de manifestação, recebendo várias críticas:
“O que se questiona em relação a essas tentativas de padronização da capoeira dentro dos contornos do esporte de rendimento, é se elas não estariam negando a pluraridade dessa manifestação cultural, bem como os seus valores sócio-históricos e culturais arquivados em seus rituais cantos e gestos” (Falcão, op. cit., p.325).
http://www.uff.br/pos_educacao/joomla/images/stories/Teses/hajime.pdf

domingo 24 de enero de 2010

Sería el abuelo de Alfredo el primer capoeira? (Joao Moreira)

Nota de pesquisador: Alfredo Moreira jefe de capoeiras era nieto del portugués Capitán Joao Moreira de Carvalho,padre del Barón de Penedo.
O povo do Rio de Janeiro:bestializados ou bilontras?*
José Murilo de Carvalho
Capoeiras e capangas eram tradicionalmente usados também por políticos e poderosos em geral como instrumentos de justiça privada. Muitos capoeiras integraram a Guarda Negra que dispersava comícios republicanos. A própria polícia fazia uso deles como agentes provocadores ou informantes. O conúbio ia além da política. Diferentemente do que se pensa, por exemplo, havia entre os capoeiras muitos brancos e até mesmo estrangeiros. Em abril de 1890, ainda em plena campanha de Sampaio Ferraz contra os capoeiras, foram presas 28 pessoas sob a acusação de capoeiragem. Destas, apenas cinco eram pretas. Havia dez brancos, dos quais sete estrangeiros, inclusive um chileno e um francês. Era comum aparecerem portugueses e italianos entre os presos por capoeiragem. E não só brancos pobres e estrangeiros se envolviam na capoeiragem. A fina flor da elite da época também o fazia. Neste mesmo mês de abril de 1890, foi preso como capoeira José Elísio dos Reis, filho do Conde de Matosinhos, uma das mais importantes personalidades da colônia portuguesa, irmão do Visconde de Matosinhos, proprietário do jornal O Paiz. Como é sabido, a prisão quase gerou uma crise ministerial, pois o redator do jornal era
Quintino Bocaiúva, ministro e um dos principais propagandistas da República. Outro caso
famoso era o de Alfredo Moreira, filho do Barão de Penedo, embaixador quase vitalício do Brasil em Londres, onde gozava do convívio com os Rothschild. Segundo o embaixador francês no Rio, Alfredo era “um dos chefes ocultos dos capoeiras e cabeça conhecido de todos os tumultos”. O representante inglês informava em 1886 que José Elísio e Alfredo Moreira eram vistos diariamente na rua do Ouvidor, a Carnaby Street do Rio, em conversas com a jeunesse dorée da cidade”.
http://www.forumrio.uerj.br/documentos/revista_8/008_101.pdf

viernes 22 de enero de 2010

Lucta “Puccetti-Ghedini” - Do campeão brasileiro e director do Club “Força e Coragem” de S. Paulo


Há Um Século

16 de agosto de 1907, sexta-feira(A coleção não possui exemplar desta data. Notícia de 17/08/07)
Lucta Romana - Do campeão Julio Ghedini recebemos a seguinte carta: “Sr. redactor d’A Cidade De muita boa vontade me permitto responde hoje ao sr. Pedro Puccetti (campeão brasileiro), do club ‘Força e Coragem’(SP) no que se refere ao ‘Desafio’ que o sr. Eugenio Boilau, de modo proprio, lançou em meu nome, ao dito campeão brasileiro. Leia esta notícia na integra http://www.jornalacidade.com.br/noticias/57766/ha-um-seculo.html
Lucta “Puccetti-Ghedini” - Do campeão brasileiro e director do Club “Força e Coragem” de S. Paulo, sr. Pedro Puccetti, recebemos hontem á as 2 horas da tarde o telegramma seguinte, que afixamos a porta da redacção: “Se o professor Giulio Ghedini acceitar as condicções que expuz na secção livre ‘A Cidade de sabbado 14 do corrente, ponha-se a minha disposição, sexta-feira ou sabbado 21, no theatro Carlos Gomes, e telegraphe-me afim de seguir immediatamente”. Puccetti. Leia esta notícia na integra http://www.jornalacidade.com.br/noticias/58878/ha-um-seculo.html
NOTA DEL PESQUISADOR:
O historiador e folclorista Carlos Cavalheiro ressaltou a importância de se aprofundar pesquisa sobre a vida de Sinhozinho, ainda, em Santos e São Paulo capital. É sabido, por entrevista datada de 1º de Setembro de 1931 (Diário de Notícias, RJ. Foto), prestada pelo próprio Sinhozinho(17 anhos), que ele, no ano de 1907, ingressou no Club Força e Coragem, sob a direção de Pedro Pucceti. Também temos informações de que familiares de Sinhô remanesceram em São Paulo, mais precisamente na Mooca.
livro “A Volta do Mundo da Capoeira”, de LOPES (1999):
“Por volta da década de cinqüenta, Sinhozinho era um personagem muito conhecido no Rio de Janeiro, especialmente em Ipanema e Copacabana. Nascido em Santos, São Paulo, filho do Cel. José Moreira Sampaio, Intendente daquela cidade, já em 1904, Sinhô iniciava sua brilhante carreira de desportista, como sócio-aluno do Clube Esperia de São Paulo. Ainda em São Paulo, após passar pelo Clube Atlético Paulistano, pela Associação Atlética das Palmeiras, e pelo Clube Força e Coragem, Agenor Sampaio veio para o Rio e não mais saiu. [...]. Logo se tornou conhecido nas rodas esportivas e boêmias da cidade por sua força física e habilidades atléticas, tendo sido instrutor da temida Polícia Especial e, mais tarde, da Polícia Municipal, assim como de inúmeras
associações esportivas como Sport Club Mangueira, Ginástico Português, Clube de Regatas do Flamengo, Helênico, Fluminense, América F.C. e várias outras entidades desportivas, valendo destacar o Club Nacional de Gymnastica, criado por ele mesmo, em 1930, para divulgar a Capoeira. [...]. Não se sabe muito bem como e onde Sinhozinho a aprendeu mas já nos anos trinta ensinava [...].Segundo o que ensinava, os capoeiras de sua época tinham suas especialidades,
sendo mais brigadores do que esportistas. Usando de malícia, faziam ataques súbitos e inesperados, procurando colocar os adversários, rapidamente, fora de combate. [...]. Sua capoeira, destituída de ‘orquestra’ – berimbaus, pandeiros, atabaque, agogô e reco-reco, e cânticos – que sempre foi a mola propulsora dos demais tipos de Capoeira, exigia de seus praticantes o máximo de objetividade e resistência a pancadas e a lesões, o que fazia com que muitos iniciantes desistissem. Isto talvez explique porque sua difusão tenha sido limitada
enquanto outras formas da capoeira, normalmente com ritmo e canto,começaram a lograr mais sucesso e, atualmente, estejam tomando conta do Brasil e do mundo.”
(p. 25 - 26)

“OS CAPOEIRAS” Roteiro Original Carlos Eduardo Goulart


99-INT. SOCIEDADE FRANCESA DE GINÁSTICA, RIO – DIA
Vemos um grupo de homens em trajes de ginástica reunidos conversando.
HOMEM 1
A monarquia já tá caindo do pé... é questão de tempo até o povo tomar o poder e fazer a
república, como na França há 100 anos atrás...
HOMEM 2
O povo... hum... se formos esperar por eles teremos que esperar mais 100 anos... Uma gritaria se faz ouvir do lado de fora. Imediatamente estes homens vão para a janela para ver o que acontece.
100-EXT.FRENTE A SOC. FRANCESA DE GINÁSTICA,RIO – DIA
Sexta Feira está pendurado na bandeira francesa, presa ao mastro, e com uma navalha, tenta cortar o fio que prende esta. Ele por fim consegue, caindo junto com a bandeira.
Os outros comemoram rasgando esta com suas navalhas. Tico Ventura, seu bando, e mais outros armados de paus, forçam a entrada no prédio. Eles por fim entram.
101-INT. HALL/ SOC. FRANC. GINASTICA, RIO – DIA
Vários funcionários de uniforme, armados de paus enfrentam estes. Na linha de frente estão Tico Ventura (com duas navalhas) e seus homens armados também com navalhas. Estes, como
dançarinos, desferem graciosamente os golpes de navalha naqueles homens, que tentam em vão, acertá-los com seus porretes. Logo, o salão é tomado pelos homens da guarda negra.
Após os outros sucumbirem, sobra somente um funcionário, para lutar com todos. Os homens da guarda negra, olham uns para os outros, e urrando correm atrás deste. Ele joga o bastão para o lado e escapa por uma grande porta, fechando esta. Os homens da guarda negra (Tico e seus homens acabam ficando um pouco para trás) abrem as duas portas.
102-INT. OUTRO SALÃO/SOC. FRANC. GINASTICA, RIO - DIA
No entanto, os capoeiras ao entrar se deparam com uma formação de homens armados que imediatamente disparam seus revólveres. Vemos um homem fazendo a mira e o tambor de seu revólver girando e disparando. Sobre o ponto de vista da mira do revólver vemos os integrantes da guarda negra sendo alvejados
(REF.4 – ESTA CENA SERÁ USADA NOVAMENTE MAIS A FRENTE).
Um negro armado com um pedaço de pau toma a frente investindo contra a formação de republicanos entrando na alça de mira do revólver.
NEGRO (GRITANDO)
Viva a princesa...Porém, ele não termina a frase, sendo alvejado duas vezes no peito, antes.
Agora, a alça de mira focaliza Tico Ventura. Vemos o dedo engatilhando e o tambor girando. Ela é disparada, porém só ouvimos um “tec”. A arma é baixada e seu tambor aberto. Ele está vazio de balas. Ele é apressadamente carregado, porém, bala a bala. Ele é fechado, e voltamos ao ponto de vista da alça de mira, que é apontada para onde estava Tico Ventura e os outros navalhistas.
Porém, ele e os integrantes da Guarda Negra não estão mais lá.
103-INT. SOCIEDADE HABITANTES DA LUA, RIO – DIA
Os homens da Guarda Negra (muitos feridos), Tico Ventura, e seu bando, começam a chegar. Clarindo Lopes os recebe com abraços e apertos de mão.
LOBO BRÁS (V.O.)
Aquele fôra o primeiro teste da Guarda Negra. Depois viriam muitos outros... agora, nenhum
ataque a coroa ficaria sem resposta.
http://www.roteirodecinema.com.br/roteiros/capoeiras.pdf


A Guarda Negra: a capoeira no palco da política

Carlos Eugênio Líbano Soares

Em 28 de fevereiro de 1873, logo após a vitória de Duque- Estrada e de sua Flor, e após candentes denúncias da “promis- cuidade” entre políticos e capoeiras, o jornal é vítima de pe-
dras, gritos, tentativa de arrombamento. Um “moleque” sobe na tabuleta do jornal e a pinta de preto. O Governo é acusado de cumplicidade. Por quase toda a década de 1870, o condomínio entre políticos monarquistas e negros capoeiras deu as cartas na Corte Imperial do Rio de Janeiro. Em 1878, a chegada ao poder dos liberais – depois de uma década de ostracismo
– trouxe a primeira campanha policial contra os “capoeiras políticos”, como era denunciado na imprensa. Campanha que não deu em nada. Então, o clima político que propiciou a Guarda Negra es- tava presente 15 anos antes. Dom Pedro II e sua herdeira do trono, Isabel, eram vistos como simpatizantes de causas abolicionistas. Os políticos paulistas, que dominavam o Partido Republicano, eram conhecidos como irados senhores de escravos, que arrancavam crioulos de suas famílias no Nordeste para serem castigados nas senzalas do Vale do Paraíba.
Essa visão não aparecia na época da Guarda por causa de conveniências políticas: para os defensores, era constrangedor filiar-se a movimentos tidos pela imprensa política como autoritários e criminosos, como eram vistos os capoeiras da Flor da Gente da década de 1870. Para os que atacavam, lembrarse dessa fase recente era escapar do contexto da Lei Áurea, que podia trazer sombrias lembranças do passado escravista de alguns políticos “liberais”.
Assim, ambos os formadores de opinião pública da época eram incapazes de compreender a raiz mais profunda que dera origem à Guarda Negra. O primeiro embate envolvendo-a foi o ataque ao comício de Silva Jardim, na Sociedade Francesa de Ginástica, na Rua da Travessa da
Barreira, em 31 de dezembro de 1888. Silva Jardim percorria o País, financiado pelos republicanos, aproveitando-se da súbita impopularidade da monarquia frente às classes
proprietárias, revoltadas com a perda de seus investimentos “semoventes”………............………. Era raro nos informes de polícia a prisão de toda uma malta, até por conta da impunidade de que gozavam graças à ligação com políticos importantes da Corte. Eles foram fichados e os informes de jornais indicavam que seriam recrutados para o Exército – como seus antecessores da década de 1860. Mas, estranhamente, foram todos soltos no dia seguinte. Seus nomes aparecem nas fichas de entrada da Casa de Detenção da Corte, o grande presídio da cidade. Esses mesmos nomes aparecerão, em primeiro de janeiro de 1889, na imprensa – infelizmente as fichas da
Casa de Detenção dessa data foram perdidas para sempre – como asseclas do bando que cercou a Sociedade Francesa no fatídico 31 de dezembro. Fica claro que os dois eventos estão relacionados, assim como a campanha de recrutamento da Guerra do Paraguai tem relação com a politização da da capoeira na década de 1870