Centro de Ensino Superior do Seridó – Campus de Caicó.Publicação do Departamento de História e Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.V. 02. N. 03, fev./mar. de 2001 – Semestral
ISSN ‐1518‐3394 , Disponível em www.cerescaico.ufrn.br/mneme
A partir de 1728, por determinação régia, tentou-se misturar os Corpos de Ordenanças de pardos com os de brancos, para que aqueles ficassem mais “sujeitos e obedientes, pois não lhes convinha servir em corpo separado.”xvi Em 1731, o Conselho Ultramarino estranha a permanência da separação entre pardos e bastardos, e adverte para que tais práticas não prosseguissem.xvii Mesmo com as determinações, a população da Capitania insistia na separação racial entre as Companhias.
Quanto às formas de emprego das Ordenanças, Graça Salgado afirma que elas possuíam uma dupla função:
“... materializavam a administração portuguesa na Colônia em virtude de sua presença compulsória, e fortaleciam o poder dos senhores de terras locais - que passaram a dispor de uma força armada e vestida por estes senhores de terra - para impor a sua própria ordem e, através dela, resguardar seus interesses.”xviii Mello e Souza corrobora essa análise ao afirmar que os potentados não apenas se utilizavam dessas Ordenanças, mas que elas eram uma espécie de Polícia privada composta por desclassificados. Para confirmar seu argumento, cita a correspondência de Dom Rodrigo José de Menezes com o Ministro Martinho de Mello e Castro. Dentre os assuntos tratados está a questão da guarda pessoal de um certo Manuel José, composta de “brancos de ruim conduta, mulatos e negros com armas de fogo, catanas e porretes.”xix Além do aspecto de fortalecimento de potentados, as ordenanças desempenhavam outro papel: quando reunidas, formavam Terços, que também eram utilizados pela administração colonia.
lxvi Clavina curta, espada alemã, e duas pistolas de arção. Casaca e calções azul ferrete, vivos amarelos, pluma vermelha, colete preto, meias pretas, correame amarelo, bolsa preta, platina de escama. Os cavalos: manta azul com vivo vermelho, sela gineta (dois arções altos), correame amarelo e freio português lxvii Tipo especial de milícia, sendo uma designação vulgar para as Cias. de Capitães de Assalto, formadas de negros que em tempos de guerra exploravam as campanhas, transmitiam ordens e mensagens e, em tempos de paz caçavam os escravos e criminosos foragidos e combatiam os quilombos. Ver “Colecção Sumária das Próprias Leis, Cartas Régias, Avisos e Ordens que se acham nos livros da Secretaria do Governo desta Capitania de Minas Geraes” REVISTA DO ARQUIVO PÚBLICO MINEIRO. Belo Horizonte. XVI, 1911, p. 449.
lxviii VASCONCELOS, Diogo Pereira Ribeiro de. Memória sobre a Capitania da Minas Gerais. Cap. X. Forças da Capitania. op. cit.
lxix MAWE, John. Viagens ao interior do Brasil - principalmente aos Distritos do Ouro e Diamante, trad. Rio de Janeiro, 1944. Sobre a estada de John Mawe em Minas ver: Carta do Conde de Linhares a José Ricardo de Gouveia Mourão, escrita em 9 de janeiro de 1810. Capitania de Minas Gerais, I,1,2,34,151. Arquivo Histórico do Exército.
http://www.cerescaico.ufrn.br/mneme/pdf/mneme03/001-p.pdf
jueves, 13 de enero de 2011
viernes, 7 de enero de 2011
1830- Descripción de "Rabo de Arraia"
O desengano, periodico politico, e moral, Números 1-27 José Agostinho de Macedo, Na Impressão regia, 1830
PAG 3.............Quando julgavamos os Francezes contentes, e tranquillos no seu elemento das frivolidades, ou fatuidades, como beliçosas Borboletas, gyrando de flor em flor, ora aperfeiçoando, e introduzindo novos passos no Minuete de Dupré, dando mais ou menos tezoiradas nos cabellos tosquiados á Titus, mandando para aqui, e para toda a parte, Colonias, e Colonias de huma especie de Forçureiras chamadas Modistas, que por hum panno de palha feita em chapeos, nos acabassem de alimpar esse resto d'ouro, que para cá mandavão as minas de Catapreta, sem haver quem lhos de com elles na cara, e por outras regiões com hum rabo de Arraia; enchendo os armazens do Chiado de imma palhada de Livros sem alma, e sem churume, que as mãis de familia destribuão por suas filhas em lugar das Horas Alarianas,..............
http://books.google.com/books?id=5uzTAAAAMAAJ&printsec=frontcover&vq=ARRAIA&hl=es#v=onepage&q=ARRAIA&f=false
PAG 3.............Quando julgavamos os Francezes contentes, e tranquillos no seu elemento das frivolidades, ou fatuidades, como beliçosas Borboletas, gyrando de flor em flor, ora aperfeiçoando, e introduzindo novos passos no Minuete de Dupré, dando mais ou menos tezoiradas nos cabellos tosquiados á Titus, mandando para aqui, e para toda a parte, Colonias, e Colonias de huma especie de Forçureiras chamadas Modistas, que por hum panno de palha feita em chapeos, nos acabassem de alimpar esse resto d'ouro, que para cá mandavão as minas de Catapreta, sem haver quem lhos de com elles na cara, e por outras regiões com hum rabo de Arraia; enchendo os armazens do Chiado de imma palhada de Livros sem alma, e sem churume, que as mãis de familia destribuão por suas filhas em lugar das Horas Alarianas,..............
http://books.google.com/books?id=5uzTAAAAMAAJ&printsec=frontcover&vq=ARRAIA&hl=es#v=onepage&q=ARRAIA&f=false
miércoles, 5 de enero de 2011
1866- Pugilato y Batuques en Dahomé
PARTE NÃO OFFICIAL.(JULHO 1866)
VIAGEM DA ESCUNA «NAPIER» A S. JOAO BAPTISTA DE AJUDA.
(Continuação.)
Diversas denominações da costa da Mina — Apparencia desta ce perigoso banco que a prolonga—Communicaçoes com a terra no ancoradouro de Ajuda — Desembarque do Governador de S. Thomé o recepção pelo Xáxá.
(pag 57, 58, etc.) Estávamos sentados em semicírculo, o Governador no centro, comigo á direita e o Xáxá á esquerda;.............., o Avogá elevou a saúde «a el REi de Portugal, que se não esquecia dos seus verdadeiros amigos de Dahomé». Foi correspondida com uma oulra, que o Governador dirigiu «ao poderoso rei de Dahomé, digno alliado de Portugal». .................Sentaram-se todos e começaram as conversações e observações particulares, emquanto pela frente da arvore passavam em continência, ao som dos batuques e gritaria, todos os soldados que acompanhavam o Avogá. Pareciam regularmente armados como os do Xáxá, e tanto estes como todos os que vi emquanto estive em Ajuda, eram pretos possantes, ágeis e mostrando um todo marcial e atrevido; ao passarem entoavam canções guerreiras, a que os outros faziam coro com grilos, e todos elevavam as espingardas por cima da cabeça, dando-lhes movimentos rotatórios como a maças, ou achas de armas que pretendessem arremessar. À marcha seguiu-se uma scena de corridas e de pugilato, que me foi explicado ser a representação de uma caça aos escravos ou perseguição aos vencidos após um combate. Fosse o que fosse deram-se galopes da força de um pur sang nas corridas de Derby ou Vincennes, e despedirain-se soccos que fariam inveja ao mais perfeito boxeur.
FUENTE: Annaes do Conselho Ultramarino, Portugal. Conselho Ultramarino, Imprensa Nacional, 1868
http://books.google.com/books?id=ULVMAAAAYAAJ&hl=es&source=gbs_navlinks_s
VIAGEM DA ESCUNA «NAPIER» A S. JOAO BAPTISTA DE AJUDA.
(Continuação.)
Diversas denominações da costa da Mina — Apparencia desta ce perigoso banco que a prolonga—Communicaçoes com a terra no ancoradouro de Ajuda — Desembarque do Governador de S. Thomé o recepção pelo Xáxá.
(pag 57, 58, etc.) Estávamos sentados em semicírculo, o Governador no centro, comigo á direita e o Xáxá á esquerda;.............., o Avogá elevou a saúde «a el REi de Portugal, que se não esquecia dos seus verdadeiros amigos de Dahomé». Foi correspondida com uma oulra, que o Governador dirigiu «ao poderoso rei de Dahomé, digno alliado de Portugal». .................Sentaram-se todos e começaram as conversações e observações particulares, emquanto pela frente da arvore passavam em continência, ao som dos batuques e gritaria, todos os soldados que acompanhavam o Avogá. Pareciam regularmente armados como os do Xáxá, e tanto estes como todos os que vi emquanto estive em Ajuda, eram pretos possantes, ágeis e mostrando um todo marcial e atrevido; ao passarem entoavam canções guerreiras, a que os outros faziam coro com grilos, e todos elevavam as espingardas por cima da cabeça, dando-lhes movimentos rotatórios como a maças, ou achas de armas que pretendessem arremessar. À marcha seguiu-se uma scena de corridas e de pugilato, que me foi explicado ser a representação de uma caça aos escravos ou perseguição aos vencidos após um combate. Fosse o que fosse deram-se galopes da força de um pur sang nas corridas de Derby ou Vincennes, e despedirain-se soccos que fariam inveja ao mais perfeito boxeur.
FUENTE: Annaes do Conselho Ultramarino, Portugal. Conselho Ultramarino, Imprensa Nacional, 1868
http://books.google.com/books?id=ULVMAAAAYAAJ&hl=es&source=gbs_navlinks_s
1844- GUINÉ e CABO VERDE -Luta Gymnástica
Estatistíca das possessões portuguezas, Volumen 1 ,José Joaquim Lopes de Lima, Francisco Maria Bordalo
Imprensa nacional, 1844
(pág 114) Dos habitantes da Guiné do Cabo Verde (1) muito se tem escripto, e mui bem, desde o século 16.°, em tempo que esta dependência das Ilhas de Cabo Verde começava ao Norte no Senegal, e acabava no Sul em Cabo Ledo: não é tamanha agora a minha tarefa: perdidos (por peccados nossos, pela nossa negligencia e pelos damnos que ao triste Portugal acarretou o domínio de Caslella) — o Senegal, o Gambia, e Serra Leoa, — nào tenho que faflar dos Barbacins, dos Jalofos, nem dos Sitmbas, que já não entram no nosso domínio
(pág 118) Um funeral, ou Choro, como lá lhe chamam, é o acto mais solemne em uma povoação destes Gentios: .......................Se o defunto é mancebo na flor da idade.................. e passa-se dahi a um banquete geral de carne assada em fogueiras (para o que se mata um Touro), e vinho de palma, acabando quasi sempre as exéquias com uma luta gymnastica entre os mancebos...................................Por ultimo todos os Povos desta Costa vivem sepultados em profunda ignorância: .................a sua semana é de seis dias,—cinco dos quaes empregam no trabalho, e o sexto, (que chamam Fiei) em beber, dormir, e lutar, ou dançar ao som do batuque (1).
http://books.google.com/books?id=n8lDAAAAYAAJ&printsec=frontcover&hl=es#v=onepage&q&f=false
Imprensa nacional, 1844
(pág 114) Dos habitantes da Guiné do Cabo Verde (1) muito se tem escripto, e mui bem, desde o século 16.°, em tempo que esta dependência das Ilhas de Cabo Verde começava ao Norte no Senegal, e acabava no Sul em Cabo Ledo: não é tamanha agora a minha tarefa: perdidos (por peccados nossos, pela nossa negligencia e pelos damnos que ao triste Portugal acarretou o domínio de Caslella) — o Senegal, o Gambia, e Serra Leoa, — nào tenho que faflar dos Barbacins, dos Jalofos, nem dos Sitmbas, que já não entram no nosso domínio
(pág 118) Um funeral, ou Choro, como lá lhe chamam, é o acto mais solemne em uma povoação destes Gentios: .......................Se o defunto é mancebo na flor da idade.................. e passa-se dahi a um banquete geral de carne assada em fogueiras (para o que se mata um Touro), e vinho de palma, acabando quasi sempre as exéquias com uma luta gymnastica entre os mancebos...................................Por ultimo todos os Povos desta Costa vivem sepultados em profunda ignorância: .................a sua semana é de seis dias,—cinco dos quaes empregam no trabalho, e o sexto, (que chamam Fiei) em beber, dormir, e lutar, ou dançar ao som do batuque (1).
http://books.google.com/books?id=n8lDAAAAYAAJ&printsec=frontcover&hl=es#v=onepage&q&f=false
martes, 4 de enero de 2011
jueves, 16 de diciembre de 2010
1931-No solo el CAPOEIRAGEM era Prohibido
•Diario Oficial:
ESTADOS UNIDOS DO BRASIL , REPUBLICA FEDERAL , ORDEM E PROCRESSO ANO LXX — 43 DA REPUBLICA — N. 233 , CAPITAL FEDERAL , SABADO, 3 OUTUBRO DE 1931, Pg. 85. Seção 1
TITULO XI, CODIGO POLICIAL, CAPITULO III, DAR INFRAÇÕES POLICIAIS E ADMINISTRATIVAS
Art. 969. Sao infrações da competencia dos Tribunais de Policia:
12, empenhar-se em luta corporal;
13, desafiar ou provocar alguein para luta em pugilato;
11. incitar, impelir, estimular luta corporal; expôr ao ridiculo o desafiado ou forçá-lo a aceitar o desafio:
27, jogar, na via publica, peteca, bola, ou praticar divertimentos analogos;
28, percorrer a cidade em blocos, cordões ou outros agrupamentos carnavalescos sem licença da. Policia;
ESTADOS UNIDOS DO BRASIL , REPUBLICA FEDERAL , ORDEM E PROCRESSO ANO LXX — 43 DA REPUBLICA — N. 233 , CAPITAL FEDERAL , SABADO, 3 OUTUBRO DE 1931, Pg. 85. Seção 1
TITULO XI, CODIGO POLICIAL, CAPITULO III, DAR INFRAÇÕES POLICIAIS E ADMINISTRATIVAS
Art. 969. Sao infrações da competencia dos Tribunais de Policia:
12, empenhar-se em luta corporal;
13, desafiar ou provocar alguein para luta em pugilato;
11. incitar, impelir, estimular luta corporal; expôr ao ridiculo o desafiado ou forçá-lo a aceitar o desafio:
27, jogar, na via publica, peteca, bola, ou praticar divertimentos analogos;
28, percorrer a cidade em blocos, cordões ou outros agrupamentos carnavalescos sem licença da. Policia;
miércoles, 8 de diciembre de 2010
CAPOEIRA:From Senzala to Olympic Games?
CAPOEIRA, Da senzala às Olimpíadas?, From Senzala to Olympic Games?
Américo Pellegrini Filho.(1)
O professor Sérgio Luiz de Souza Vieira, da CBC, explica:
A Capoeira já sendo praticada em 48 países, estamos tentando chegar a 75 países, para podermos participar de megacompetições, do gênero de Olimpíadas. Estamos incentivando a criação de Ligas, no Brasil, e já temos 57 dessas entidades regionais; vamos fundar a Federação Mundial de Capoeira e realizaremos um congresso mundial de procedimentos, visando à sua padronização.5 Mas, ele não esconde a ocorrência daquelas atitudes de “rebeldia” por parte de capoeiristas contemporâneos: “Existe certa resistência de vários praticantes da Capoeira, quanto à padronização de procedimentos”6.
E explica que isso faz parte de uma fase de mudanças:
Para muitos, a Capoeira foi o único meio de ascensão social possível. Sabendo-se que essas pessoas tiveram sua ascensão conseguida informalmente, podem sentir-se inseguras; mas temos feito esforço para que esses capoeiristas se reciclem. Também houve oportunidade para que mestres criassem procedimentos, práticas, golpes, de maneira que formaram grandes grupos, alguns até inimigos entre si. Agora, com a Confederação e o objetivo de padronização de procedimentos e técnicas, começa a haver um choque de posições.7
Essas opiniões coincidem com as de mestre Valdenor Silva dos Santos, presidente da Federação Paulista de Capoeira:
Para se obter um reconhecimento internacional, faltam procedimentos básicos padronizados, visando a se dispor de um entendimento global, de uma linguagem universal. Os pontos mais críticos me parecem ser estes: graduações, didática e exploração da modalidade como desporto, com respeito a todos os valores advindos de um trabalho dirigido para a formação bio-psico-social do ser humano.8
Portanto, passou o tempo em que a Capoeira era uma malandragem macunaímica, objetivando derrotar o adversário e até sangrá-lo. Se se quiser que a “ginástica brasileira” alcance realmente a posição de modalidade em uma Olimpíada do século XXI, deverá ser aceita a necessidade urgente de se implantarem normas padronizadas e respeito mútuo. Até para manter características e identidade. De olho nesse futuro próximo, um slogan da Federação Paulista afirma: “Capoeira - a opção do 3º milênio”.
Conscientes da necessidade dessa padronização e de rigor nas normas, dirigentes capoeiristas reuniram-se em São Paulo no 2º Congresso Técnico Nacional de Capoeira, 1999. A pauta do evento revela essa preocupação: Código Brasileiro Disciplinar de Capoeira, conceituação de terminologia, padronização de entidades, revisão de conteúdos para aperfeiçoamento de arbitragem, criação de graduação infantil (5 a 13 anos) e outros itens. Hoje, existem cerca de 5.500 academias (ou entidades com outras denominações) de Capoeira. Além do Brasil, Argentina e Portugal têm suas federações. Com 75 países praticando o jogo atlético, poderá ser criada nova modalidade olímpica feminina; e depois, com 125 países, poderá ser aprovada a modalidade masculina. Alguns dirigentes confiam em que, para Olimpíadas vindouras, possa haver a modalidade Capoeira, já consolidada.
Nessas (desejadas) circunstâncias, haverá nomenclatura padronizada tendo por base a língua portuguesa praticada no Brasil; como ocorre hoje com outras modalidades desportivas, que mantêm sua nomenclatura na língua do país de origem. Exemplos: tatame, yuko, ippon (no judô), soling, star (classes de iatismo), set (no vôlei, no tênis, em bola-ao-cesto ou basquete) etc – termos integrados na crônica esportiva jornalística e em comentários de aficionados. No processo de institucionalização pelo qual passa a Capoeira, se os dirigentes forem felizes com a manutenção de suas características e sua identidade, ao mesmo tempo em que realçarem nela valores positivos aceitos pelas sociedades, é lícito supor que nas próximas décadas poderemos captar uma transmissão de emissora estrangeira, naturalmente em língua estrangeira, sobre acirrada disputa da nova modalidade olímpica, mais ou menos assim: “O japonês Nakamaki aplica um rabo-de-arraia no alemão Steffen Schmidt, que se livra e agora ataca com uma bananeira...!”
Tudo dentro dos padrões da santa paz desportiva das Olimpíadas modernas, sem malandragens antiéticas. Vamos torcer também para que a BBC de Londres possa transmitir: A GOLD MEDAL FOR BRAZIL, IN CAPOEIRA!.
(1) Américo Pellegrini Filho - Possui graduação em Jornalismo pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero (1958), mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (1980), doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (1987), Livre-Docente (1992) e Titular (1996), pela mesma Universidade. Atualmente, aposentado, é professor-colaborador em Pós-Graduação na Escola de Comunicações e Artes-Universidade de São Paulo. Sua atuação acadêmica se prende principalmente aos seguintes temas: patrimônio cultural, turismo cultural, patrimônio natural, folclore/cultura popular, comunicação popular escrita.
Américo Pellegrini Filho.(1)
O professor Sérgio Luiz de Souza Vieira, da CBC, explica:
A Capoeira já sendo praticada em 48 países, estamos tentando chegar a 75 países, para podermos participar de megacompetições, do gênero de Olimpíadas. Estamos incentivando a criação de Ligas, no Brasil, e já temos 57 dessas entidades regionais; vamos fundar a Federação Mundial de Capoeira e realizaremos um congresso mundial de procedimentos, visando à sua padronização.5 Mas, ele não esconde a ocorrência daquelas atitudes de “rebeldia” por parte de capoeiristas contemporâneos: “Existe certa resistência de vários praticantes da Capoeira, quanto à padronização de procedimentos”6.
E explica que isso faz parte de uma fase de mudanças:
Para muitos, a Capoeira foi o único meio de ascensão social possível. Sabendo-se que essas pessoas tiveram sua ascensão conseguida informalmente, podem sentir-se inseguras; mas temos feito esforço para que esses capoeiristas se reciclem. Também houve oportunidade para que mestres criassem procedimentos, práticas, golpes, de maneira que formaram grandes grupos, alguns até inimigos entre si. Agora, com a Confederação e o objetivo de padronização de procedimentos e técnicas, começa a haver um choque de posições.7
Essas opiniões coincidem com as de mestre Valdenor Silva dos Santos, presidente da Federação Paulista de Capoeira:
Para se obter um reconhecimento internacional, faltam procedimentos básicos padronizados, visando a se dispor de um entendimento global, de uma linguagem universal. Os pontos mais críticos me parecem ser estes: graduações, didática e exploração da modalidade como desporto, com respeito a todos os valores advindos de um trabalho dirigido para a formação bio-psico-social do ser humano.8
Portanto, passou o tempo em que a Capoeira era uma malandragem macunaímica, objetivando derrotar o adversário e até sangrá-lo. Se se quiser que a “ginástica brasileira” alcance realmente a posição de modalidade em uma Olimpíada do século XXI, deverá ser aceita a necessidade urgente de se implantarem normas padronizadas e respeito mútuo. Até para manter características e identidade. De olho nesse futuro próximo, um slogan da Federação Paulista afirma: “Capoeira - a opção do 3º milênio”.
Conscientes da necessidade dessa padronização e de rigor nas normas, dirigentes capoeiristas reuniram-se em São Paulo no 2º Congresso Técnico Nacional de Capoeira, 1999. A pauta do evento revela essa preocupação: Código Brasileiro Disciplinar de Capoeira, conceituação de terminologia, padronização de entidades, revisão de conteúdos para aperfeiçoamento de arbitragem, criação de graduação infantil (5 a 13 anos) e outros itens. Hoje, existem cerca de 5.500 academias (ou entidades com outras denominações) de Capoeira. Além do Brasil, Argentina e Portugal têm suas federações. Com 75 países praticando o jogo atlético, poderá ser criada nova modalidade olímpica feminina; e depois, com 125 países, poderá ser aprovada a modalidade masculina. Alguns dirigentes confiam em que, para Olimpíadas vindouras, possa haver a modalidade Capoeira, já consolidada.
Nessas (desejadas) circunstâncias, haverá nomenclatura padronizada tendo por base a língua portuguesa praticada no Brasil; como ocorre hoje com outras modalidades desportivas, que mantêm sua nomenclatura na língua do país de origem. Exemplos: tatame, yuko, ippon (no judô), soling, star (classes de iatismo), set (no vôlei, no tênis, em bola-ao-cesto ou basquete) etc – termos integrados na crônica esportiva jornalística e em comentários de aficionados. No processo de institucionalização pelo qual passa a Capoeira, se os dirigentes forem felizes com a manutenção de suas características e sua identidade, ao mesmo tempo em que realçarem nela valores positivos aceitos pelas sociedades, é lícito supor que nas próximas décadas poderemos captar uma transmissão de emissora estrangeira, naturalmente em língua estrangeira, sobre acirrada disputa da nova modalidade olímpica, mais ou menos assim: “O japonês Nakamaki aplica um rabo-de-arraia no alemão Steffen Schmidt, que se livra e agora ataca com uma bananeira...!”
Tudo dentro dos padrões da santa paz desportiva das Olimpíadas modernas, sem malandragens antiéticas. Vamos torcer também para que a BBC de Londres possa transmitir: A GOLD MEDAL FOR BRAZIL, IN CAPOEIRA!.
(1) Américo Pellegrini Filho - Possui graduação em Jornalismo pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero (1958), mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (1980), doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (1987), Livre-Docente (1992) e Titular (1996), pela mesma Universidade. Atualmente, aposentado, é professor-colaborador em Pós-Graduação na Escola de Comunicações e Artes-Universidade de São Paulo. Sua atuação acadêmica se prende principalmente aos seguintes temas: patrimônio cultural, turismo cultural, patrimônio natural, folclore/cultura popular, comunicação popular escrita.
viernes, 3 de diciembre de 2010
1865-PARAGUAY - Capoeiras en la Guerra,
Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Instituto historico, geografico e ethnographico do Brasil - 1987. (pag13)
lunes, 29 de noviembre de 2010
GABIONADE, f. (termo da fortificação) capoeiras postas em ordem para cobrir os que se defendem.
A dictionary of the Portuguese and English languages, in two parts,: Portuguese and English: and English and Portuguese ... in two volumes, Volumen 2, Antonio Vieyra, printed for J. Nourse, 1773
GABIONADE, f. (termo da fortificação) capoeiras postas em ordem para cobrir os que se defendem.
GABIONADE, f. (termo da fortificação) capoeiras postas em ordem para cobrir os que se defendem.
1712- Termino CAPOEIRA (FORTIFICACIÓN)
Vocabulario portuguez e latino ...Rafael Bluteau, Collegio das Artes da Companhia de Jesu (Coimbra) no Collegio das Artes da Companhia de Jesu, 1712 - 654 páginas. http://books.google.com/books?id=SUIkCGif57IC&printsec=frontcover&hl=es#v=onepage&q&f=false
domingo, 28 de noviembre de 2010
1833-SAO PAULO -Prohibido cualquier tipo de LUCHA en lugar público (a libres y esclavos).
De cassange, mina, benguela a gentio da Guiné.Grupos étnicos e formação de identidades africanas na cidade de São Paulo (1800-1850) , Regiane Augusto de Mattos.
Em 1833 foi criada uma Postura na Câmara de São Paulo, proibindo, em definitivo, a prática da capoeira e determinando a pena ao infrator. O ofício abaixo traz as determinações da Postura:
“Postura da Camara Municipal d’esta cidade . Toda a pessoa, que nas Praças, ruas, casas publicas, ou em qualquer outro logar também publico, praticar ou exercer o jogo denominado = de capoeira ou qualquer outro genero de lucta, sendo livre será preza por tres dias, e pagará a multa de um a tres mil reis, e sendo captiva, será preza, e entregue a seo Senhor, para a fazer castigar na grade com 25 a 50 açoites, e quando o não faça soffrerá a mesma multa de um a três mil reis."
Paço do Conselho Geral de S. Paulo 1o. de Fevereiro de 1833 = José Bispo,
Presidente = Manuel Joaquim do Amaral Gurgel, secretário
secretaria da Camara em S. Paulo 14 de março de 1833
Jozé Xavier de Azevedo Marques”406
Em 1833 foi criada uma Postura na Câmara de São Paulo, proibindo, em definitivo, a prática da capoeira e determinando a pena ao infrator. O ofício abaixo traz as determinações da Postura:
“Postura da Camara Municipal d’esta cidade . Toda a pessoa, que nas Praças, ruas, casas publicas, ou em qualquer outro logar também publico, praticar ou exercer o jogo denominado = de capoeira ou qualquer outro genero de lucta, sendo livre será preza por tres dias, e pagará a multa de um a tres mil reis, e sendo captiva, será preza, e entregue a seo Senhor, para a fazer castigar na grade com 25 a 50 açoites, e quando o não faça soffrerá a mesma multa de um a três mil reis."
Paço do Conselho Geral de S. Paulo 1o. de Fevereiro de 1833 = José Bispo,
Presidente = Manuel Joaquim do Amaral Gurgel, secretário
secretaria da Camara em S. Paulo 14 de março de 1833
Jozé Xavier de Azevedo Marques”406
406
AESP. Ofícios Diversos da Capital, C00869, pasta 1, doc 78.
miércoles, 24 de noviembre de 2010
sábado, 20 de noviembre de 2010
1838-Rio de Janeiro- CAPOEIRA BATUQUE Y LUNDÚ
BRAZIL PITTORESCO
HISTORIA — DESGRIPÇÕES — VIAGENS— INSTITUIÇÕES
RIO DE JAINEIRO
TYPOGRAPHIA NACIONAL. 1859.
Jogos e danças dos negros.— No sábado a noite, depois do ultimo trabalho da semana, e nos dias santificados, qua trasem folga e repouso, concede-se aos negros uma ou duas horas para a dança. Reunem-se então no terreiro, chamão-se, grupão-se, incitão-se, e a festa começa. Aqui e a capoeira, especie de dança pyrrhica, de evoluçoes atrevidas e guerreiras, cadenciada pelo tambor do Congo; ali o batuque, posiçoes frias ou lascivas, que os sons da viola Urucungo acelerão ou demorão; mais alem tripodiase dança louca, na qual olhos, seios, quadris tudo, uma falia, tudo provoca, — espécie de frenesi convulsivo inebriante á que chamão lundu.
Jeux et danses des nègres.—Le samedi soir après le dernier travail de la semaine, el les jours de fèle qui donnent chômagc et repos, les noirs ont une heure ou deux de veilléc pour les danses. lis se réunissent en leur terreiro, s'appelletl, se groupent, s'agacent et les marches s'ouvrent. lei c'est la capoeira, espèce de danse pyrrhique, aux évolutions hardies et de combat, que réglele tambour du Congo; là c'est le batuque, poses froides ou lascives qu'accélère ou contient l'Uructmgo viole à cordes maigres; plus loin c'est une danse folie oii le regard, les scins et les hanclies provoquent; c'est uno espèce de convulsion enivrée qu'on appelle le lundu.
T. III. Pag.7
grifo:
BRAZIL PITTORESCO
HISTORIA — DESGRIPÇÕES — VIAGENS— INSTITUIÇÕES
RIO DE JAINEIRO
TYPOGRAPHIA NACIONAL. 1859.
Jogos e danças dos negros.— No sábado a noite, depois do ultimo trabalho da semana, e nos dias santificados, qua trasem folga e repouso, concede-se aos negros uma ou duas horas para a dança. Reunem-se então no terreiro, chamão-se, grupão-se, incitão-se, e a festa começa. Aqui e a capoeira, especie de dança pyrrhica, de evoluçoes atrevidas e guerreiras, cadenciada pelo tambor do Congo; ali o batuque, posiçoes frias ou lascivas, que os sons da viola Urucungo acelerão ou demorão; mais alem tripodiase dança louca, na qual olhos, seios, quadris tudo, uma falia, tudo provoca, — espécie de frenesi convulsivo inebriante á que chamão lundu.
Jeux et danses des nègres.—Le samedi soir après le dernier travail de la semaine, el les jours de fèle qui donnent chômagc et repos, les noirs ont une heure ou deux de veilléc pour les danses. lis se réunissent en leur terreiro, s'appelletl, se groupent, s'agacent et les marches s'ouvrent. lei c'est la capoeira, espèce de danse pyrrhique, aux évolutions hardies et de combat, que réglele tambour du Congo; là c'est le batuque, poses froides ou lascives qu'accélère ou contient l'Uructmgo viole à cordes maigres; plus loin c'est une danse folie oii le regard, les scins et les hanclies provoquent; c'est uno espèce de convulsion enivrée qu'on appelle le lundu.
T. III. Pag.7
grifo:
BRAZIL PITTORESCO
miércoles, 17 de noviembre de 2010
A FORMAÇÃO DO CENÁRIO CONTEMPORÂNEO DA CAPOEIRA.
Os Desafi os Contemporâneos da Capoeira. Luiz Renato Vieira e Matthias Röhrig AssunçãoA FORMAÇÃO DO CENÁRIO CONTEMPORÂNEO DA CAPOEIRA. Voltemos um pouco no tempo, para explicar melhor a emergência da capoeira contemporânea. No início dos anos 1970, os capoeiristas ainda tinham algo de exótico.
A própria capoeira era vista como uma manifestação cultural que buscava se afi rmar como esporte, cujo lugar “natural” seriam as comunidades mais pobres e periféricas, de população predominantemente afrodescendente. Em instituições mais elitizadas, a capoeira ainda causava extrañeza e, de fato, muitas delas fechavam suas portas para essa prática. Era necessário, portanto, um grande esforço de “organização”, dando continuidade à trajetória iniciada pelos capoeiras da primeira metade do século XX. Assim, as décadas de 70 e 80 se caracterizam como a época dos grandes projetos relacionados à capoeira, a maioria deles com algum grau de pioneirismo (embora houvesse muitas e importantes iniciativas isoladas anteriores): capoeira na escola, na universidade, para portadores de necessidades especiais, nos cursos de licenciatura em educação física, em institutos de reeducação de menores infratores, como terapia, como “ginástica brasileira” e como objeto de dissertações e teses acadêmicas. Há na literatura sobre a capoeira diversos registros de trabalhos relevantes, em todas essas áreas e em algumas outras e não é nossa proposta aqui enumerá-los. O importante é destacar esse momento de mudança na história contemporânea da capoeira. Foi nas décadas de 70 e 80, também, que a capoeira conquistou seu lugar no cenário esportivo nacional, ainda sob a égide da Confederação Brasileira de Pugilismo, e obtuve reconhecimento de vários órgãos governamentais ligados ao esporte e à educação. No início, as competições de capoeira assemelhavam-se às de outras modalidades de luta, não considerando toda a riqueza da arte, reduzindo-a a um simples esporte de combate. Aos poucos, foi-se cegando a formas mais elaboradas e completas de avaliação
dos capoeiristas e as competições fi caram muito parecidas com as próprias rodas de capoeira. Convém lembrar o papel das competições de capoeira dos Jogos Escolares Brasileiros (JEBs) nesse processo, como laboratório para a construção de uma visão mais global da capoeira.
É importante destacar que os anos 1980 foram também a década da expansão nacional dos grandes grupos de capoeira. 1 Firmou-se esse modelo na organização da nossa arte, apesar dos esforços de alguns pela adoção do modelo tradicional das federações. Esse, sem dúvida, foi o passo que mais se destacou na história contemporânea da capoeira: a consolidação da lógica da organização na forma de grupos, em que o professor ou mestre que se forma e organiza sua escola procura vincular-se a uma instituição já reconhecida no mercado. Pode-se, inclusive, discutir em que medida essa forma de organização contribui para preservar a diversidade e a riqueza cultural da capoeira e para o fortalecimento coletivo da arte como forma de resistência cultural. Outra tendência importante, a partir do início dos anos 1980, foi a revalorização das tradições e dos “velhos mestres”, juntamente com o fortalecimento dos grupos de capoeira angola, que ganharam muito espaço à medida que a comunidade da capoeira começava a questionar os caminhos da desportivização.2 Iniciou-se, assim, uma trajetória de reafricanização da capoeira, principalmente nos centros de prática mais tradicionais, que se refl etiu nas linguagens próprias da capoeira: na musicalidade, na instrumentação musical e até mesmo na abordagem histórica dos pesquisadores, que passaram a acentuar as origens africanas e buscar lutas ancestrais e “irmãs” da capoeira, como a ladja, da ilha caribenha Martinica, e o moringue, do Oceano Índico. O nacionalismo simplista, anteriormente tão forte, passou a dar lugar a uma visão mais global da cultura e do processo de formação da capoeira, inserindo-a na história da resistência dos africanos escravizados e de seus descendentes mundo afora. Viu-se que a capoeira precisava ser tratada como um esporte, mas que a arte não poderia ser reduzida somente ao seu aspecto desportivo. Essa abordagem culturalista, então, foi muito enfatizada a partir dos anos 1980, quando as palavras “resgate” e “bagagem” passaram defi nitivamente a fazer parte do vocabulário comum dos capoeiristas. Sintomaticamente, os capoeiristas, que tinham passado a utilizar atabaques com tarraxas, mais funcionais e fáceis de afi nar, voltaram a preferir os tambores trançados com grossas cordas de sisal. É nessa perspectiva – como cultura, e não como modalidade esportiva – que a capoeira ganha o mundo nos anos 1990. Passada a fase da afi rmação de sua riqueza no Brasil, a capoeira torna-se um fenômeno cultural de massa em escala mundial.
http://www.dc.mre.gov.br/imagens-e-textos/revista-textos-do-brasil/portugues/revista14-mat2.pdf
A própria capoeira era vista como uma manifestação cultural que buscava se afi rmar como esporte, cujo lugar “natural” seriam as comunidades mais pobres e periféricas, de população predominantemente afrodescendente. Em instituições mais elitizadas, a capoeira ainda causava extrañeza e, de fato, muitas delas fechavam suas portas para essa prática. Era necessário, portanto, um grande esforço de “organização”, dando continuidade à trajetória iniciada pelos capoeiras da primeira metade do século XX. Assim, as décadas de 70 e 80 se caracterizam como a época dos grandes projetos relacionados à capoeira, a maioria deles com algum grau de pioneirismo (embora houvesse muitas e importantes iniciativas isoladas anteriores): capoeira na escola, na universidade, para portadores de necessidades especiais, nos cursos de licenciatura em educação física, em institutos de reeducação de menores infratores, como terapia, como “ginástica brasileira” e como objeto de dissertações e teses acadêmicas. Há na literatura sobre a capoeira diversos registros de trabalhos relevantes, em todas essas áreas e em algumas outras e não é nossa proposta aqui enumerá-los. O importante é destacar esse momento de mudança na história contemporânea da capoeira. Foi nas décadas de 70 e 80, também, que a capoeira conquistou seu lugar no cenário esportivo nacional, ainda sob a égide da Confederação Brasileira de Pugilismo, e obtuve reconhecimento de vários órgãos governamentais ligados ao esporte e à educação. No início, as competições de capoeira assemelhavam-se às de outras modalidades de luta, não considerando toda a riqueza da arte, reduzindo-a a um simples esporte de combate. Aos poucos, foi-se cegando a formas mais elaboradas e completas de avaliação
dos capoeiristas e as competições fi caram muito parecidas com as próprias rodas de capoeira. Convém lembrar o papel das competições de capoeira dos Jogos Escolares Brasileiros (JEBs) nesse processo, como laboratório para a construção de uma visão mais global da capoeira.
É importante destacar que os anos 1980 foram também a década da expansão nacional dos grandes grupos de capoeira. 1 Firmou-se esse modelo na organização da nossa arte, apesar dos esforços de alguns pela adoção do modelo tradicional das federações. Esse, sem dúvida, foi o passo que mais se destacou na história contemporânea da capoeira: a consolidação da lógica da organização na forma de grupos, em que o professor ou mestre que se forma e organiza sua escola procura vincular-se a uma instituição já reconhecida no mercado. Pode-se, inclusive, discutir em que medida essa forma de organização contribui para preservar a diversidade e a riqueza cultural da capoeira e para o fortalecimento coletivo da arte como forma de resistência cultural. Outra tendência importante, a partir do início dos anos 1980, foi a revalorização das tradições e dos “velhos mestres”, juntamente com o fortalecimento dos grupos de capoeira angola, que ganharam muito espaço à medida que a comunidade da capoeira começava a questionar os caminhos da desportivização.2 Iniciou-se, assim, uma trajetória de reafricanização da capoeira, principalmente nos centros de prática mais tradicionais, que se refl etiu nas linguagens próprias da capoeira: na musicalidade, na instrumentação musical e até mesmo na abordagem histórica dos pesquisadores, que passaram a acentuar as origens africanas e buscar lutas ancestrais e “irmãs” da capoeira, como a ladja, da ilha caribenha Martinica, e o moringue, do Oceano Índico. O nacionalismo simplista, anteriormente tão forte, passou a dar lugar a uma visão mais global da cultura e do processo de formação da capoeira, inserindo-a na história da resistência dos africanos escravizados e de seus descendentes mundo afora. Viu-se que a capoeira precisava ser tratada como um esporte, mas que a arte não poderia ser reduzida somente ao seu aspecto desportivo. Essa abordagem culturalista, então, foi muito enfatizada a partir dos anos 1980, quando as palavras “resgate” e “bagagem” passaram defi nitivamente a fazer parte do vocabulário comum dos capoeiristas. Sintomaticamente, os capoeiristas, que tinham passado a utilizar atabaques com tarraxas, mais funcionais e fáceis de afi nar, voltaram a preferir os tambores trançados com grossas cordas de sisal. É nessa perspectiva – como cultura, e não como modalidade esportiva – que a capoeira ganha o mundo nos anos 1990. Passada a fase da afi rmação de sua riqueza no Brasil, a capoeira torna-se um fenômeno cultural de massa em escala mundial.
http://www.dc.mre.gov.br/imagens-e-textos/revista-textos-do-brasil/portugues/revista14-mat2.pdf
sábado, 13 de noviembre de 2010
1743- BRASIL- Primeiro sistema combinado de defenza- Esporço Vigoroso ,Faca e Pau
1743- BRASIL- Luctas y Jogos Indígenas
grifo: libro:Historia do Brazil, Escrito por Robert Southey, Fernandes Pinheiro, Traducido por Luiz Joaquim de Oliveira e Castro. Publicado por B. L. Garnier, 1862. http://www.scribd.com/doc/37149368/Robert-Southey-Historia-do-Brasil-5
viernes, 5 de noviembre de 2010
Presentada en primera instancia la FICA en SportAccord 29/10/2010
Quiero informarle que la FICA fue presentada oficialmente y en primera instancia del COI, en la entidad SportAccord –Lausana Suiza, el día 29/10/2010.
Mantuvimos una reunión de 4 horas donde por protocolo para el reconocimiento de una FI de una nueva modalidad deportiva, presenté toda la documentación exigida para tal reconocimiento. Si bien no cumplimos todos los requisitos, como ocurre con cualquier nueva FI que quiera ser reconocida y vinculada al COI, sí tenemos avanzado el 80% de dichos requisitos. Desde este momento FICA tiene el “Observer Status” de esta entidad y, como presidente de FICA, estoy desde hoy mismo trabajando para que FICA sea “Miembro de Pleno Derecho” de SportAccord en 2016 y por consiguiente:
FICA vinculada al COI.
Agradezco usted me halla dado la oportunidad de leer su tesis doctoral sobre la Capoeira pues esta lectura provocó en mí tal curiosidad que no descansaré, si las Asambleas de FICA me lo permiten, que nuestros nietos participen como Capoeiristas en alguna Olimpiada.
PD: Como dijo el último Campeón del Mundo de Mountan-Byke (español) en una rueda de prensa:” ¿A que queréis que os ganemos los españoles?
Envío certificado del “Meeting FICA-SportAccord” firmado por mí y el presidente de esta última entidad.
Por favor, haga pública esta información y el certificado adjunto.
“Jogo Bonito” .Un abrazo. Javier Rubiera.
martes, 28 de septiembre de 2010
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