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martes, 26 de enero de 2010

EDUCAÇÃO FÍSICA E REORDENAMENTO NO MUNDO DO TRABALHO:
Mediações da regulamentação da profissão
Por Hajime Takeuchi Nozaki
sob a orientação do Prof. Dr. Gaudêncio Frigotto
Niterói-Maio de 2004

Assim sendo, além da sua mercantilização, um processo que mediou a capoeira, enquanto conformação ao capitalismo avançado, foi o da sua desportivização. É possível que um dos aspectos determinantes para a identificação desta prática enquanto conteúdo desportivo seja a sua reformulação, a partir da década de 30, sustentada por um interesse do Estado brasileiro em legitimar práticas que compactuassem com seus ideais higienista, eugenista, militarista e nacionalista (Mello, op. cit.; Reis, op. cit.)321. Assim, a capoeira modificou sua prática e seu ensino, geralmente marginais, para uma sistematização realizada em recintos fechados e ministrada por professores ou mestres que a ensinavam utilizando-se de metodologias criadas por si próprios ou adaptadas de modalidades desportivas. Neste ponto, Mestre Bimba tem fundamental importância por ter criado a capoeira regional, com elementos provenientes da escola, tais como a formatura. Já os angoleiros, cuja expressão representativa era o Mestre Pastinha, buscavam preservar as tradições daquela manifestação, porém adaptando-a para a legalidade, ou seja, retirando-a de ações marginais tais como a briga de rua, valentia, entre outras (ibid.; Silva, op. cit.).
Mais à frente, na década de 70, outro aspecto determinante foi a elaboração de um regulamento técnico para competições322 e a incorporação da capoeira à Confederação Brasileira de Pugilismo, em 1º de janeiro de 1973. Já a Confederação Brasileira de Capoeira surgiu em 23 de outubro de 1992 (Bogado, op. cit.; Falcão, 1998)323. Os defensores da desportivização da capoeira partiram de dois argumentos centrais. O primeiro deles era ligado à defesa da normatização desportiva da capoeira, tendo em vista que ela seria o único esporte genuinamente nacional. Já o segundo, se baseava na própria preocupação de sistematização das suas técnicas, com o intento de afastar o surgimento de capoeiras que não respeitassem a tradição da área. Neste ponto, é ilustradora a declaração do professor Carlos Senna, estudioso da área324, por ocasião da aprovação do primeiro regulamento técnico da capoeira, no Conselho Nacional de Desportos, em maio de 1973:
“Devemos criar de imediato um método de ensino único para a prática e o estudo da capoeira. Esse método, ou melhor, os ensinamentos devem ser um só para todos aqueles que se dedicam ao ensino da capoeira, a fim de evitar a proliferação de falsos professores que ficam inventando moda e com isso prejudicando sensivelmente o respeito [à] capoeira” (apud Pessoa, 1973, [s/p]).
É possível perceber, como no caso do yoga, a preocupação em resguardar a área dos praticantes mal intencionados e que não respeitariam a sua tradição. A solução apontada para tal impasse, à época, foi a desportivização da capoeira325. Não obstante, tal desportivização veio acompanhada justamente da descaractrização da área, na proporção em que transformou a capoeira em mercadoria, além de inibir a sua diversidade de manifestação, recebendo várias críticas:
“O que se questiona em relação a essas tentativas de padronização da capoeira dentro dos contornos do esporte de rendimento, é se elas não estariam negando a pluraridade dessa manifestação cultural, bem como os seus valores sócio-históricos e culturais arquivados em seus rituais cantos e gestos” (Falcão, op. cit., p.325).
http://www.uff.br/pos_educacao/joomla/images/stories/Teses/hajime.pdf

jueves, 10 de septiembre de 2009

Capoeira e Educaçao física

CAPOEIRA E EDUCAÇÃO FÍSICA –UMA HISTÓRIA QUE DÁ JOGO...PRIMEIROS APONTAMENTOS SOBRESUAS INTER-RELAÇÕES*PAULA CRISTINA DA COSTA SILVAMestranda em Educação Física da Faculdade de Educação Física da Unicamp.Bolsista da Capes. E-mail: letpau@yahoo.com.br
IV. OS EMBATES NA CONFIGURAÇÃO DA CAPOEIRA MODERNA E O PAPEL DAEDUCAÇÃO FÍSICA NESTE UNIVERSO
É após o golpe militar, em 1964, que a capoeira vai se reorganizar e fortalecer-se ainda mais, adaptando-se ao novo momento histórico. Com a valorização do esporte como válvula de escape da repressão política, temos o enquadramento desta prática como um esporte de luta genuinamente brasileiro, passando a fazer parte da Confederação Brasileira de Pugilismo, ganhando, enfim... o status de esporte de competição. É neste triste período da história brasileira que a capoeira, uma manifestação popular de expressão de liberdade de criação, entra novamente na perspectiva de controle do Estado, mediante das organizações esportivas.Após a década de 1970, os capoeiristas de forma geral passam a se organizar em grupos, cada qual difundindo suas propostas de trabalho, iniciando na década de 1980 uma luta pelo mercado consumidor de atividades físicas. É também nesta fase que a educação física – antes ligada às práticas corporais voltadas para o adestramento do corpo para a produção – passa a se voltar para as práticas corporais com vistas ao consumo de produtos e valorização do modelo corporal imposto pelo sistema vigente, surgindo com evidência os modelos de corpos mercador e mercadoria11. Com o nascimento dos grupos de capoeira, tendo cada qual sua linha, filosofia,tradição herdada por determinado mestre etc., vemos aumentar a diversidade de sua prática, ao mesmo tempo em que as ligas, federações e a confederação vão lutar pela sua uniformização.Na década de 1980, os ares da abertura democrática invadem o país, propiciando a reorganização de vários grupos sociais e entre eles aqueles ligados à conscientização negra que buscam a valorização das manifestações culturais de origem africana. A partir desse fato, a capoeira angola toma novo fôlego e volta como uma alternativa à capoeira regional, esta já bem influenciada pela capoeira esportivizada. Como conseqüência temos a concorrência, que sempre existiu entreestas duas linhas, acirrando-se ainda mais pelo mercado consumidor. Anos mais tarde, vimos consolidado um sonho para os adeptos da capoeira – luta brasileira: em 1992, é fundada a Confederação Brasileira de Capoeira, sendo sua principal finalidade a exportação do esporte, para fazê-lo participar, num plano de médio a longo prazo, do calendário olímpico.Em meio a todas essas movimentações no sentido de constituí-la em um esporte de competição, há grandes desencontros por parte dos órgãos legais (federações e confederação) e os grandes grupos de capoeira. Todas estas entidades lutam, de acordo com seus interesses, pela disputa da hegemonia – no sentido gramsciano do termo – dentro do universo capoeirístico no âmbito nacional e internacional, gerando conflitos de ordem organizacional entre os mestres de capoeira,professores e praticantes.http://www.rbceonline.org.br/revista/index.php/RBCE/article/view/328/287