jueves, 21 de enero de 2010

Uma história do negro no Brasil

Uma história do negro no Brasil
Autor:
Wlamyra Ribeiro de Albuquerque; Walter Fraga Filho; Universidade Federal da Bahia. Centro de Estudos Afro-Orientais.; Fundação Cultural Palmares (Brazil)
Editorial:
[Salvador, Brazil] : Centro de Estudos Afro-Orientais ; [Brasília, Brazil] : Fundação Cultural Palmares, 2006.
Capítulo IX
CULTURA NEGRA E CULTURA NACIONAL:SAMBA, CARNAVAL, CAPOEIRA E CANDOMBLÉ.

As relações entre aqueles que eram vistos como desordeiros e os encarregados pela promoção da ordem eram mesmo bastante dúbias. Capoeiras eram contratados pela polícia como informantes
ou por políticos como capangas, enquanto se multiplicavam nos jornais de várias cidades queixas contra a capoeiragem.
Em Belém do final do século XIX, nomes como Chico Bala e Mão-de-Seda ficaram conhecidos pelos serviços, nem sempre lícitos, que prestava a chefes políticos locais. Por outro lado, na
capital paraense, através dos jornais denunciava-se o território dos capoeiras: o Ver-o-Peso, um mercado público na área portuária da cidade, e o largo de Santana, onde estavam as principais
casas de jogos, as ricas pensões e os clubes de dança. O Pará viveu na Primeira República uma época de prosperidade graças aos lucros com a exportação da borracha da Amazônia.
Pelo porto de Belém eram embarcadas para a Europa Estados Unidos grandes quantidades de látex, e desembarcados produtos europeus como tecidos, jóias, livros e máquinas agrícolas.
Era justamente nessa zona portuária de grande circulação pessoas e riquezas que a capoeiragem era praticada a qualquer do dia e da noite. É certo que ao se exibirem em locais tão movimentados eles contavam com a conivência, ou pelo menos com tolerância da polícia. Principalmente se entre os praticantes houvesse capangas de políticos importantes, que geralmente ficavam impunes apesar das infrações que cometiam. Isso demonstra a repressão dependia das circunstâncias e conveniências. O êxito da economia paraense atraiu para a região amazônica, entre 1890 e 1910, trabalhadores nordestinos e imigrantes europeus, principalmente portugueses. A interação entre esses trabalhadores levou à incorporação pela capoeira paraense de armas próprias às lutas portuguesas, assim como golpes e hábitos dos capoeiristas baianos, cearenses e pernambucanos. No Rio de Janeiro, essa convivência entre negros, imigrantes pobres e migrantes de diversas regiões do país nas ocupações braçais, principalmente na estiva, ampliou, ainda mais, os tipos sociais que praticavam capoeira. Entre os praticantes estavam portugueses, espanhóis e italianos que trabalhavam no porto, operários nordestinos, soldados,
brasileiros brancos e pobres. Não eram apenas os negros que podiam ser facilmente identificados como capoeiras pelo andar gingado, as calças de boca larga e a argolinha de ouro na orelha, sinais de valentia.
http://www.ceao.ufba.br/livrosevideos/pdf/uma%20historia%20do%20negro%20no%20brasil_cap09.pdf
recorte del libro: A Academia de São Paulo; tradições e reminiscencias, estudantes, estudantões, estudantadas (1907)
Author: Nogueira, Almeida, 1850-1914Subject: Faculdade de Direito (São Paulo, Brazil); LawyersPublisher: São Paulo [Typographia Vanorden & Co.]Year: 1907


De acordo com Blake (1889), Luiz Joaquim Duque-Estrada Teixeira formou-se em Direito pela Faculdade de São Paulo, voltando para a Corte em 1859, sendo sempre advogado. Filiou-se em 1863 ao Partido Conservador, “sendo um dos mais firmes baluartes deste partido, que também o distinguiu, elegendo-se Juiz de Paz de sua Freguezia, a da Gloria, desde 1864 a 1878”. Como já mencionado, foi mais de uma vez deputado provincial, e deputado geral em quatro legislaturas desde 1868. Colaborou também na Revista do Atheneu Paulistano, na Revista de Educação e Ensino, e em várias folhas políticas.Nascido em 06.06.1836, no Rio de Janeiro, onde faleceu em 09.09.1884, às 16:30, na rua do Aqueduto, em Santa Teresa




Page n195 - � Os capoeiras do Duque Estrada. —
Page n217 - jogo da capoeira, eic elle mn babil atirador e conhecia
Page n219 - estava a capoeira muito em honra entre os estudantes.
Page n220 - jogo da capoeira. Querem nm exemplo de um desses preceitos
Page n221 - exercidos da capoeiragem, como, ao contrario, os incitava
Page n222 - nalgum afamado capoeira adverso á sua gente.

Em 1897, o general Couto de Magalhães disse que a capoeira não deveria ser perseguida mais sim dominada e ensinada em escolas militares

El General José Viera Couto de Magalhães, (Diamantina, 1 de noviembre de 1837 — Rio de Janeiro, 14 de septiembre de 1898) perteneció a los cuadros político, intelectuales y empresariales del Imperio de Brasil. En su Viagem ao rio Araguaya, río Araguaia en el Estado de Goyaz o Goiás, Brasil. Fue político, militar, escritor e folclorista brasilero.
Inicio sus estudios en el Seminario de Mariana. Estudió matemáticas en la Academia Militar de Río de Janeiro y frecuentó un curso de Artillería de Campaña en Londres. Bachiller de la facultad de Derecho de São Paulo, en 1859, se doctoró en Derecho en 1860.

miércoles, 20 de enero de 2010

Associações operárias mutualistas e recreativas em Campinas (1906-1930)


NOTA DEL PESQUISADORCursiva: Couto Magalhaes ,habría financiado una escuela de capoeiragem en Sao Paulo( ver link). En el artículo de más abajo ponemos observar como Couto estaba cerca de los abolicionistas y sociedaes de hombres negros; debemos recordar que la S.D.F. Uniao de Juventude en 1920 dejó de practicar capoeira en sus instalaciónes por miedo. Em 1897, o general Couto de Magalhães disse que a capoeira não deveria ser perseguida mais sim dominada e ensinada em escolas militares. Em 1893 o governo de Floriano Peixoto mandou prendê-lo por ter doado parte de sua fortuna para a fundação de um hospital destinado aos revoltosos da armada e do Rio Grande do Sul. Na prisão, sua saúde se debilitou e lhe foi facultado ir para a Europa, para tratamento e em reconhecimento ao seu alto saber. Volta aos 61 anos e falece aos 14 de setembro de 1898. Dois anos antes, (1896), tornara-se proprietário das terras do Sítio do Itaí.
http://eu-bras.blogspot.com/2010/01/os-capoeiras-do-duque-extrada.html

Associações operárias mutualistas e recreativas em Campinas (1906-1930)
Sociedade Beneficente Isabel, a Redentora, associação formada por ferroviários que pretendiam homenagear a figura monárquica considerada responsável pela libertação dos escravos. A diretoria apresentava tendências monarquistas, construindo relações próximas com o cônsul português, e objetivando enviar seus estatutos para a própria princesa Isabel, através do Dr Couto de Magalhães, diretor d’O Comércio de São Paulo.
Outro tipo de identidade construída entre os trabalhadores negros estava presente no funcionamento da Liga Humanitária dos Homens de Cor, na Sociedade Dançante Familiar União da Juventude, na Federação Paulista dos Homens de Cor, no Colégio São Benedito. Nessas organizações havia a “luta pelo engrandecimento da raça”, principalmente através da educação, da construção de uma imagem que valorizasse o negro, distanciando-o das bebidas alcoólicas, das situações consideradas imorais, da pobreza e miséria. A Federação Paulista dos Homens de Cor organizou diversas recepções ao deputado Monteiro Lopes, mobilizando as associações negras em Campinas. Além disso, declarava a apoio a determinados candidatos políticos durante as eleições. Desse modo, essa organização criava uma imagem da potencialidade da cidadania negra em Campinas através da alfabetização e da participação política, elegendo candidatos que
pudessem garantir a inserção dos negros na sociedade. Esse aspecto político da atuação negra, em Campinas, resultou na organização da Frente Negra em 1931. No jornal Diário do Povo, de 13 de maio de 1984, um artigo sobre as comemorações da data ressalta o papel da Frente Negra em Campinas, que se reunia clandestinamente na sede da Sociedade Dançante Familiar União da Juventude. José Alberto Ferreira, advogado e escrivão aposentado, foi entrevista por ter feito parte da Frente Negra e da Liga Humanitária dos Homens de Cor..................................................

Outra denúncia foi feita em dezembro de 1907, descrevendo os “vagabundos” como pessoas que “incomodam e ofendem, porque tais indivíduos timbram em repudiar a moral”, cobrando um posicionamento dos policiais para evitar tais incômodos. Em 20 de dezembro de 1910, o jornal A Cidade de Campinas, relatou que todas as noites se reuniam nos botequins da rua Conceição, no trecho entre as ruas Francisco Glicério e Barão de Jaguará, “uma malta de pretos vagabundos” que se embriagavam, cometiam balbúrdias e cenas escandalosas, impedindo que senhoras passassem no trecho, além de promoverem provocação e pequenas desordens.
Ontem, à noite, dois pretos divertiam-se em frente a um dos botequins daquele trecho no jogo de ‘capoeiragem’ provocando o ajuntamento de desocupados e impedindo o trânsito. Dois policiais, avisados do ocorrido efetuaram a prisão dos capoeiras levando-os para o xilindró onde pernoitaram. Convém que o trecho referido seja policiado rigorosamente para se evitar cenas dessa natureza.
Há duas distinções feitas na imprensa para as pessoas que praticavam atos considerados imorais pela sociedade campineira – os “vagabundos” e os “pretos vagabundos”. Portanto, uma preocupação comum a todas as associações recreativas operárias que ofereciam bailes e festivais era determinar um horário que permitisse que “mulheres honradas” freqüentassem os eventos. Isso indica que o período noturno na cidade era compreendido pela sociedade, em geral, como uma ameaça, um momento que exigia constante fiscalização e atuação enérgica policial. Portanto, a criação de associações recreativas pelos trabalhadores driblava esse estereótipo e possibilitava
vincular uma imagem digna aos associados, pois praticavam o lazer em horários e locais considerados adequados. Outro aspecto comum as associações operárias recreativas era eliminar as associadas que tivessem comportamento moral duvidoso, reforçando a afirmação de que as associações dialogavam com as imagens e valores morais tidos como corretos pela sociedade.
http://libdigi.unicamp.br/document/?code=vtls000408685

martes, 19 de enero de 2010

1964-Lamartine P. da Costa habla de la organización deportiva de la Capoeira

Lamartine
http://www.revistadeeducacaofisica.com.br/artigos/1964/capoeira.pdf
Título Capoeiragem: a arte da defesa pessoal brasileira
Autor Lamartine Pereira da Costa
Editor Selbstverl., 1961
Procedencia del original Universidad de Texas
Digitalizado 16 Feb 2008
N.º de páginas 63 páginas

jueves, 14 de enero de 2010

Revista Brasileira de Ciências Sociais Print version ISSN 0102-6909
Rev. bras. Ci. Soc. vol.21 no.62 São Paulo Oct. 2006
Um forrobodó da raça e da cultura
A confusion of race and culture
Une pagaille de race et de culture
Antonio Herculano Lopes


Quando no final do século XIX o projeto intelectual de criar um teatro nacional "sério" foi derrotado pelo entusiasmo das platéias cariocas com os musicais ligeiros, uma das estratégias de autores e atores para competir com os sofisticados produtos do cancan francês e da opereta austríaca foi a paródia. Curiosamente, aliás, paródia de segundo grau, uma vez que o próprio produto europeu já parodiava burlescamente a cultura clássica. No Brasil, é interessante traçar um paralelo com o processo lingüístico do século XIX, descrito por Raul Pederneiras. Os capoeiras, numa sociedade escravista, estavam numa situação de inferioridade estrutural. Ao imitar a fala dos brancos de classe alta, reafirmavam sua inferioridade, ao mesmo tempo em que adquiriam poder. Não importava que a cópia fosse imperfeita e empobrecida. Num duplo movimento, eles se afirmavam superiores aos seus pares que não dominavam a linguagem dos poderosos, e riam desses últimos em sua pompa e circunstância. Quanto mais o capoeira se esforçasse para imitar a fala de seu patrão, mais intensamente ele expunha o "rei nu".
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-69092006000300004&script=sci_arttext

martes, 12 de enero de 2010

ESPORTE PROLETÁRIO:UMA LEITURA DA IMPRENSA OPERÁRIA BRASILEIRA (1928-1935)

Em São Paulo, por exemplo, a partir das primeiras décadas do século XX, observou-se um processo de reordenamento urbano associado aos novos significados atribuídos ao corpo e às relações sociais. Mas foi a partir dos anos de 1920 que esse conjunto de reformas urbanas provocou, como diz a autora, uma sensação de estranhamento diante do crescimento virtuoso da urbe, de medo e fantasia diante das novas formas de trabalho, circulação, convivência e diversão, bem como de desespero em face das contradições sociais e dos contrastes urbanos que envolveram toda a população, colocando a cidade de São Paulo sob os códigos da nova ideologia,
representada como ícone dos novos estatutos simbólicos e culturais. 75 Soma-se a isso o discurso médico associado à propaganda da escola como instâncias capazes de disciplinar e orientar as atividades de diversão. Assim sendo, não poderiam deixar de incluir as modernas e educativas práticas da recreação, representando

[...] não só uma preocupação com os usos "ilícitos" do tempo livre, mas também a intervenção sobre o ócio e a alteração dos hábitos e tipos de divertimentos tradicionais. A ociosidade, entendida como produtora da violência, da criminalidade, da capoeiragem, da vagabundagem, dos vícios, das doenças e das epidemias, seria a principal atividade do cotidiano familiar a ser questionada, enquadrada e combatida. A orientação pedagógica contida nas atividades de recreação desenvolvidas na escola visava disciplinar o corpo no sentido de que, notempo livre, não se flexibilizasse com a preguiça nem com o desconforto físico.76

Nesse contexto, a educação e as práticas corporais, na forma de atividades físicas, esportes ou recreação, cumpriram uma finalidade pedagógica de orientar o cotidiano dos trabalhadores e suas famílias. Essa é uma posição muito próxima à de Carmen Soares, quando a autora se expressa sobre a relação entre o pensamento médico higienista e a educação física, destacando o papel desta na ordenação do meio urbano:
http://www.tede.ufsc.br/teses/PEED0626-D.pdf

O Rio de Janeiro no Tempo dos Vice-Reis 1763 – 1808

Obra escrita por um dos melhores historiadores e memorialistas do Rio de Janeiro. Autor igualmente de O Rio de Janeiro no Tempo dos Vice-Reis e A Corte de D. João no Rio de Janeiro, sua atividade de literato acumulava-se com a de jornalista. A respeito dessa obra, lê-se no prefácio: O Rio de Janeiro do meu Tempo foi sua obra mais conhecida. Nela, Luís Edmundo extravasou o seu imenso amor por sua cidade, contando as histórias e falando dos ambientes por ele vividos na virada do século, em sua dupla condição de participante e testemunha." Esse livro compõe o mais rico painel jamais feito sobre o Rio de Janeiro.
Nota del pesquisador: 1770-Joao Moreira primer Capoeira conocido
RIO de Janeiro( 1763 – 1808)
De volta, pelo caminho que vai à Vala, penetremos a Rua dos Ourives, das de maior concorrência da cidade. À porta do estanco de tabaco está um homem diante de um frade nédio e rubicundo. Mostra um capote vasto de mil dobras, onde a sua figura escanifrada mergulha e desaparece, deixando ver apenas, de fora, além de dois canelos finos de ave pernalta, uma vasta, uma hirsuta cabeleira, onde naufraga em ondas tumultuosas alto feltro espanhol. Fala forte. Gargalha. Cheira a aguardente e discute. É o capoeira. Sem ter do negro a compleição atlética ou sequer o ar rijo e sadio do reinol, é, no entanto, um ser que toda gente teme e o próprio quadrilheiro da justiça, por cautela, respeita.
Encarna o espírito da aventura, da malandragem e da fraude; é sereno e arrojado, e na hora da refrega ou da contenda, antes de pensar na choupa ou na navalha, sempre ao manto cosida, vale-se de sua esplêndida destreza, com ela confundindo e vencendo os mais armados e fortes contendores. Nessa hora o homem franzino e leve transfigura-se. Atira longe o seu feltro chamorro, seu manto de saragoça e aos saltos, como um símio, como um gato, corre, recua, avança e rodopia, ágil, astuto, cauto e decidido. Nesse manejo inopinado e célere, a criatura é um ser que não se toca, ou não se pega, um fluido, o imponderável. Pensamento. Relâmpago. Surge e desaparece. Mostra-se de novo e logo se tresmalha. Toda a sua força reside nessa destreza elástica que assombra, e diante da qual o tardo europeu vacila e, atônito, o africano se trastroca. Embora na hora da luta traga ele, entre a dentuça podre, o ferro da hora extrema, é da cabeça, braço, mão, perna ou pé que se vale para abater o êmulo minaz. Com a cabeça em meio aos pulos em que anda, atira a cabezada sobre o ventre daquele com quem luta e o derruba. Com a perna lança a trave, o calço. A mão joga a tapona, e com o pé a rasteira, o pião e ainda o rabo-de-arraia. Tudo isso numa coreografia de gestos que confunde. Luta com dois, com três, e, até com quatro ou cinco. E os vence a todos. Quando os quadrilheiros chegam com as suas lanças e os seus gritos de justiça, sobre o campo da luta nem traço mais se vê do capoeira feroz que se fez nuvem, fumaça e desapareceu. Na hora da paz ama a música, a docuça sensual do brejeiro lundu, dança a fofa, a chocaina, e o sarambeque pelos lugares onde haja vinho, jogo, fumo e mulatas. Freqüenta os pátios das tabernas, os antros da maruja para os lados do Arsenal. Usa e abusa da moral da ralé, moral oblíqua, reclamando pelourinho, degredo, e, às vezes, forca.
http://www.senado.gov.br/web/cegraf/conselho/pdf/O%20Rio%20de%20Janeiro%20do%20Meu%20Tempo/aber_meutempo.pdf

lunes, 11 de enero de 2010



CAPÍTULO I
O ESPORTE E A EDUCAÇÃO FÍSICA NO BRASIL ANTES DA CRIAÇÃO DA
EsEFEx
Primórdios do Esporte no Brasil
Em 1929, sete anos após o fechamento do CMEF, ocorreu uma visita do Presidente da República Dr. Washington Luís, à Escola de Sargentos de Infantaria, acompanhado pelo Ministro da Guerra, Gen. Nestor Sezefredo dos Passos. Entusiasmado com o trabalho produzido com os alunos da Escola de Sargentos de Infantaria, pelo Tenente Inácio de Freitas Rolim e pelo Tenente Médico Virgílio Alves Bastos, preparados por Pierre de Seguir17, o Ministro Sezefredo determina, através de Aviso Ministerial, providências imediatas para criação do Curso Provisório de Educação Física, anexo à referida Escola.


17. Um dos grandes responsáveis para a realização desse curso foi o comandante do Exército Francês (hierarquia similar a major no Exército Brasileiro) Pierre de Seguir, que assumira a direção da educação física da Escola Militar em 1928. Pierre de Seguir veio em mais uma missão francesa de propagação do método francês e teve grande responsabilidade no desenvolvimento de metodologias para diversas práticas, principalmente de lutas, e na preparação de profissionais para o ministrar de cursos e aulas. Nessas iniciativas, contava muitas vezes com o auxílio do prof. Alberto Latorre de Faria, futuro professor da ENEFD
(MELO, 1996.).

1930-40 Cisnando aprende Jiu Jitsu con Takeo Yano


fuente: Analisando o livro de registros de associados do Centro Esportivo de Capoeira Angola:
http://www.bdae.org.br/dspace/bitstream/123456789/358/5/Amelia_Conrado6.pdf

1988-MUNIZ SODRÉ-Descripción del cuerpo del Capoeirista


A (IN)VISIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO NEGRA NOS GRUPOS DE CAPOEIRA EM FLORIANÓPOLIS.
Valmir Ari Brito
Florianópolis, outubro de 2005


O sociólogo Muniz Sodré (1988) descreve que o corpo do capoeirista negro ajusta sinergias neuromusculares com imperativo de resistência cultural. É um corpo – assim como aquele que "recebe" o orixá, estabelecendo a comunicação direta entre o sagrado e o profano – sempre aberto enquanto estrutura, capaz de incorporar a dispositivos marciais a alegria da dança e do ritmo (SODRÉ, 1988, p. 214).
O (se – movimentar) no jogo da capoeira não denota apenas a parte física, esses movimentos trazem intrínsecos, sentimentos, sensações, histórias e experiências de vida, que são exteriorizados na roda de capoeira através de movimentos gestuais.
Como diz aquele velho ditado popular, "me mostras com quem andas que eu lhe direi quem és", alguns mestres veteranos afirmam categoricamente, que conseguem identificar, quais são as verdadeiras de um capoeirista na roda, apenas observando o seu estilo gestual de jogar. Segundo Merleau-Ponty (1999, p.18) "o mundo é o que vemos e, contudo precisamos aprender a vê-lo".

1876-SAO PAULO- Escolares jugando capoeira

HISTÓRIA DA EDUCAÇAO DO NEGRO E OUTRAS HISTÓRIAS:
Brasilia 2005
Edições MEC/BID/UNESCO
(Sao Paulo)Em 1876 ,por exemplo, um professor um professor acrescentou ao relatório obrigatório uma longa queixa contra os pais de alunos, não se referindo apenas às dificuldades de fazer com que eles enviassem os filhos à escola, mas também para que reconhecessem o valor da educação escolar. Ele comenta que os alunos não estudavam, preferindo ficar “vadiando”, entregando-se “às piores práticas, à devassidão”:
Tenho sempre ouvido queixas contra o magisterio. É bom que o magisterio opponha tambem algumas aos pais de familia brazileiros, não aquelles pais de boa-sociedade, que conhecem o valor da educação da familia, mas sim ao commum dos pais. Entendem estes, só aquem me refiro, que é bastante mandar os filhos a escola. Com dificuldade dão-lhes o que é preciso. Fazelos estudar em caza as lições passadas na escola, nenhum o faz. Os meninos ahi andão pelas ruas tardes inteiras a correr após um arco de barril, ou adiante de um volante aereo, ou em bandos a jogar capoeira, entregandose desde cedo as devassidões. Eu, por mais que faça, não consigo que um alumno venha para a escola com as lições de Grammatica ou Arithmentica decoradas.Entretanto essas liçoes, que dependen do exercício da memória
devem ser estudadas em casa, só explicadas ou praticadas na escola, para que o tempo, que gastão em decorar, fosse empregado em qualquer outro exercicio. Quanto ao procedimento, todos os alumnos o tem bom na escola. Apenas dois alumnos irmãos que, com quanto não procedão de modo a ser requerida sua expulsão, são invenciveis quanto aos habitos da vadiação e falta de aceio com que se aprezentão na escola
.14
http://unesdoc.unesco.org/images/0014/001432/143242por.pdf

martes, 5 de enero de 2010

1878-RIO-Capoeiragem gymnástico en Club Gymnástico Brazileiro


COMETARIO DEL ARTÍCULO: del pfr.dtr. Sergio Vieira, ex-presidente de FICA:
"Foi uma tentativa de institucionalização por parte dos órgãos governamentais e pessoas ilústres e influentes da época, assim como da parte de muitos intelectuais. Este movimento veio até os nossos dias com o Prof. Inezil Pena Marinho. "
FUENTE: Revista Illustrada\Ano 4 - 12 de Julho de 1879 - Nº168



Marcílio Dias (o herói da Batalha do Riachuelo, embarcado no "Parnahyba") era rio-grandense e foi recrutado quando capoeirava

foto :Marcílio Dias-http://virgiliofreire.blogspot.com/2009/06/no-dia-de-hoje-ha-144-anos-marinha-de.html
Em 1865 o Brasil, junto com a Argentina e o Uruguai, declarou guerra ao Paraguai.O exército brasileiro formou seus batalhões e, dentro destes, um imenso número de capoeiras. Muitos foram "recrutados " nas prisões; outros foram agarrados à força nas ruas do Rio e das outras províncias; aos escravos, foi prometida a liberdade no final do conflito.Na própria marinha, o ramo mais aristocrático das Forças Armadas, destacou-se a presença dos capoeiras. Não entre a elite do oficialato, mas entre a "ralé" da marujada.
Marcílio Dias (o herói da Batalha do Riachuelo, embarcado no "Parnahyba") era rio-grandense e foi recrutado quando capoeirava à frente de uma banda de música. Sua mãe, uma velhinha alquebrada, rogou que não levassem seu filho; foi embalde, Marcílio partiu para a guerra e morreu legando um exemplo e seu nome.

FUENTE: (Correio Paulistano, 17/6/1890)


Fica para a história a Batalha Naval do Riachuelo, no dia 11 de junho de 1865. Nesta fase do conflito, a esquadra brasileira em combate contra a esquadra paraguaia, agigantam-se de abnegação patriótica o Guarda-Marinha João Guilherme Greenhalgh e o Imperial Marinheiro de Primeira Classe Marcílio Dias – que tanto já se distinguira nos ataques de Paissandú –, imortaliza- se ainda mais nesse dia. Heróis, mártires e defensores da Bandeira
, no convés do vapor “Parnaíba” sucumbem no seu posto de honra, mas não permitem a profanação do Pavilhão Nacional que chegou a ser arriado por um militar paraguaio, mas que diante da coragem dos marinheiros e dos soldados brasileiros, no mastro ficou firme e sereno, apenas sacudido pelos ventos. A tropa inimiga se retira do combate e o Pavilhão é içado novamente. Sobre este fato vale a pena ler o pronunciamento do Deputado Plínio Salgado (ARENA), na Sessão Solene do Congresso Nacional, do dia 10 de junho de 1965, em homenagem à Marinha do Brasil, ao ensejo do transcurso do primeiro centenário da Batalha do Riachuelo que, em um dos trechos, destaca: “(...) Lutam, Caem os bravos oficiais do Exército e da Marinha, um a um, na defesa do pavilhão nacional. É nesse instante que o Guarda-Marinha Greenhaugh e o
marinheiro de primeira classe, o celebre, o famoso Marcílio Dias, se imortalizam: arrancam
das mãos do inimigo as bandeiras, nelas se envolvem, tingem-nas com seu sangue vermelho de patriotismo e sucumbem envoltos no pavilhão nacional. (Palmas prolongadas.) Pouco depois, apesar de toda a tristeza e acabrunhamento pela perda daqueles heróis, eis que estrugem, com alegria, vivas ao Imperador, vivas ao Brasil, vivas ao Almirante Barroso. Que foi? Foi o “Parnaíba” que rechaçou os inimigos, foi o “Parnaíba” que tornou a hastear a bandeira verde-amarela de nossa Pátria! (Palmas.)” O tratado definitivo de paz entre o Império do Brasil e a República do Paraguai só foi promulgado em 27 de março de 1872, através do Decreto
nº 4.910, assinado pela Princesa Imperial Regente D. Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga, em nome do Imperador D. Pedro II.

fuente: A Construção da Democracia(pag 224-225)

jueves, 31 de diciembre de 2009

A REVOLTA DO VINTÉM E A CRISE NA MONARQUIA

A REVOLTA DO VINTÉM E A CRISE NA MONARQUIA
Em 28 de dezembro ocorreu a primeira manifestação pública coletiva contra o imposto do vintém. Não houve violência. Às cinco horas da tarde, cerca de cinco mil pessoas se reuniram no Campo de São Cristóvão para ouvir o Doutor Lopes Trovão. Da janela de um sobrado o principal porta-voz da indignação popular fez um breve discurso para a multidão, explicou ao povo
que seria lícito levar uma petição ao imperador solicitando ao “primeiro magistrado da nação” a revogação do imposto. Ao término do discurso, por volta das seis horas da tarde, o orador convidou a população aglomerada a se dirigir imediatamente para o Paço da Boa Vista, onde se encontrava Sua Majestade. Os manifestantes responderam com vivas e palmas interrompidas
apenas pela leitura da petição que foi, também, calorosamente aplaudida. A multidão começou a se deslocar pela rua São Luiz Gonzaga quando Lopes Trovão foi “intimado” a interromper o percurso pelo 2o delegado de polícia da corte, à frente de uma linha de cavalaria e mais de cem agentes armados de longos e grossos cassetetes conhecidos como “bengalas de Petrópolis”. Lopes
Trovão ensaiou um breve discurso e respondeu conclamando os manifestantes a não ceder às intimidações, justificando se tratar de uma mobilização pacífica. A multidão continuou a caminhada ignorando as provocações da “polícia secreta” que “ensaiava passos de capoeiragem” e ameaçava com armas os integrantes do protesto. Depois de atravessar o Campo de São Cristóvão, entrar pela rua da Feira, rua de São Cristóvão e rua do Imperador, a multidão, que caminhava para a Cancela em direção ao Palácio da Boa Vista, encontrou o “portão da coroa” guardado por um pelotão de cavalaria que a impediu de levar a petição às mãos do monarca. Momentos depois, quando as pessoas começavam a dispersar, chegava um mensageiro da coroa dizendo que D. Pedro II aceitaria receber tão-somente uma comissão formada pelos “representantes do povo”. Porém era tarde. Os súditos e cidadãos em retirada resolveram ignorar a atenção tardia do imperador e a comissão – formada por Lopes Trovão, Ferro Cardoso, José do Patrocínio e Joaquim Piero da Costa –, se recusou a voltar atrás.5
5 Gazeta de Notícias, 29 dez. 1879. p.1. e O Conservador, 31 dez. 1879. p.2.

http://www.ifch.unicamp.br/ojs/index.php/historiasocial/article/view/53/52
NOTA DEL PESQUISADOR: A Revolta do Vintém foi um protesto ocorrido entre 28 de dezembro de 1879 e 1º de janeiro de 1880, nas ruas do Rio de Janeiro, capital do império brasileiro, contra a cobrança de vinte réis, ou seja, um vintém, nas passagens dos bondes, instituída pelo ministro da fazenda, Afonso Celso de Assis Figueiredo, futuro Visconde de Ouro Preto. Aos gritos de "Fora o vintém" a população espancou os condutores, esfaqueou os burros, virou os bondes e arrancou os trilhos ao longo da Rua Uruguaiana.
A estatística de feridos e mortos não é precisa, estima-se entre 15 e 20 feridos e entre 3 e 10 mortos. Desgastado, o ministério caiu, tendo o novo ministério revogado o
tributo.
Obtido em "

http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolta_do_Vint%C3%A9m_(Rio_de_Janeiro)"

1952-E.E.F.EXERCITO-Entrenamiento de ataque y defensa (CAPOEIRAGEM)

El MÉTODO ECLÉTICO DE ATAQUE E DEFESA editado por A. L. De Faría en 1937 aún estaba vigente en la E.E.F.E en el ano 1952.

miércoles, 30 de diciembre de 2009

NOSSA CAPOEIRAGEM 1937


fuente: DEFESA PESSOAL
Sgt. Ajd. Alberto Latorre de Faria, monitor da E. E. F. E.. Iniciamos, neste número, uma série de publicações sobre—Defesa Pessoal —arle cuja difusão

1933- BRASIL-Idea de crear una LUCHA NACIONAL organizada




FUENTE: VALE-TUDO -
Vista rápidaVALE-TUDO. General Réf. HORÁCIO DOS SANTOS. Quando instrutor de Ataque e Defesa na E. E. F.. E., lembrei-me de criar uma luta de caráter nacional ...

1937-RIO-Publicación del Método ECLÉTICO de Deffessa Pessoal.(Colabora A.L.Faría),


martes, 29 de diciembre de 2009

A historia do feiticeiro Juca Rosa : cultura e relações sociais no Rio de Janeiro imperial



fuente: A historia do feiticeiro Juca Rosa : cultura e relações sociais no Rio de Janeiro imperial







FOTO : Agenor Moreira Sampaio, mais conhecido como Sinhozinho, ao centro, e alunos. Ano: 1940 (Paulo Azeredo é o último à esquerda). Sinhozinho, que sempre enfatizou o treinamento de força, foi um grande treinador e formador de campeões na capoeira e em outros esportes no Rio de Janeiro, na primeira metade do século XX. A capoeira de Sinhozinho, também conhecida como Capoeira Utilitária, era uma capoeira voltada para a eficácia como luta, inspirada na violenta capoeira carioca e não era acompanhada por instrumentos musicais.

PINHEIRO, Alisson Bernardo, UERJ/FFP, (aluno de mestrado). Da capoeiragem à academia:
a formação da capoeira moderna no Rio de Janeiro.
Com a Proclamação da República a capoeiragem das maltas vai sofrer um duro golpe liderado pelo chefe de polícia Sampaio Ferraz o “Cavanhaque de Aço”. Durante a primeira metade do século XX a capoeira, no Rio de Janeiro, vai sobreviver de forma mais esparsa. Ela já não se apresenta sob a forma institucional das maltas, que mobilizavam um grande número de grupos, seus principais agentes agora são considerados também “malandros” e atuam de forma mais isolada. De forma paralela houve um esforço de intelectuais, memorialistas, cronistas, folcloristas, de fazer da capoeira representante da brasilidade. Em certa medida amparada pelas penas dos homens das letras outros agentes procuravam passar a capoeira pelo crivo da esportização. Expoente máximo desta prática da capoeira sob os paradigmas do mundo dos esportes internacionais, Sinhozinho (Angenor Moreira Sampaio) ensinava a velha arte da capoeiragem já na década de 1920, em sua academia no bairro de Ipanema (mudando de endereço muitas vezes), junto com outras atividades físicas e esportivas, como levantamento de peso e judô. Era uma espécie de centro esportivo, improvisado em terreno baldio, onde Sinhozinho inventava aparelhos, técnicas, métodos de treino. É importante ressaltar que na Bahia, mestre Bimba, também levaria a cabo um projeto de esportização da capoeira que vai culminar no que ele batizou de “Capoeira Regional”. Há um debate muito interessante sobre a proeminência dos dois personagens na iniciativa de fazer da capoeira um esporte, a “Ginastica Nacional”. Estudiosos como Lopes apontam o papel de destaque que tiveram os manuais de capoeiragem que foram publicados no primeiro qüinqüênio do século XX. Ressaltando o livro de Zuma Bularmaqui, “Gymnastica Nacional, a Capoeiragem”, publicado no Rio de Janeiro em 1928 divulgava a capoeira “utilitária”, “estilo Sinhozinho”, que segundo Lopes e as fontes jornalísticas que nos dispõe teria servido de “fonte inspiradora para a criação da Gymnastica Regional Baiana” de mestre Bimba. Estes manuais teriam sido pioneiros ao propor uma estruturação esportiva para a capoeira, método de ensino com a descrição de cada golpe, cada movimento.
Na chamada “era Vargas” vai se desdobrar um impulso modernizante do Brasil em seus aspectos políticos, econômicos e sociais. Getúlio Vargas e seu governo vão ser determinantes para compreendermos parte do “esquecimento” da tradição carioca na sua re-invenção moderna.
O período Vargas vai se caracterizado pelas ideologias de Estado (trabalhismo e nacionalismo)
onde a população passaria por uma tentativa de modelação. Desde a “morte” da antiga capoeiragem das maltas a capoeira carioca se mantinha nas figuras dos bambas, dos valentões.
Com o Estado Novo a capoeira carioca sofre o golpe derradeiro quando o governo Vargas esportiza a capoeira (1937) e indiretamente eleva a vertente baiana como a “mais pura”.
“A escola de capoeira de mestre Bimba é a primeira do país a ser legalizada e há um incentivo às exibições públicas de capoeiristas baianos, sendo a capoeira incorporada à industria do turismo na Bahia”16 Em contra partida no Rio de Janeiro, o Estado Novo identifica no capoeirista carioca a figura do malandro, avesso ao trabalho. Assim podemos também fazer um paralelo do que para
o Estado Novo seriam as manifestações populares aceitáveis ou não pelo regime: o samba “do
trabalhador” e a capoeira esporte dos baianos, contra o samba e a capoeira (carioca) que enalteciam a figura do malandro. Segundo Reis a “política de valorização moral do trabalho”,
incidiu “diretamente sobre a cultura negra do Rio de Janeiro”. É dentro da “ótica marcadamente
militarista, disciplinadora e eugenizadora que a capoeira se esportizara” sob os auspícios do Estado Novo.


:

miércoles, 23 de diciembre de 2009

Centro de Cultura Physica “Olavo Bilac”
Rua Goyas – 64__________________________________
Director – A. PEREIRA DA SILVA
– prof. gym. eeduc. physica do Gymmnasio Mineiro.
Thesoureiro – WILSON PEREIRA1o
Secretário – ALFEU FELICISSIMO2o
Secretário – ALEXANOR PERREIRA________________
MENSALIDADE – 5$000591..............Na descrição feita do que seria oferecido pelo Centro, pode-se ver que a insttalação do Centro era completa contando os seguintes apparelhos: parallelas, barras, argollas, trapesio, escadas de corda e madeira, cordas lisas e de nós, massas, alteres, sandows, remos, apparelhos de tiro ao alvo,esgrima, box, puxing. Brevemente teremos o foot-ball, a natação, o remo, sendo o Parque Municipal o campo de acção destes ramos sportivos. Dentre os exercicios de atlhetismo mencionaremos: o jiu jitsu, a capoeira,lucta romana, o box e o jogo de pan.592592 CENTRO de ..., 1916, p. 7.http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/bitstream/1843/VCSA-6XTGT2/1/tese_marilita_vers_o_final.pdf

A rasteira! Este sim é o esporte nacional por excelência!

BRASIL - Graciliano Ramos, em 1921: “Pensa-se em introduzir o futebol, nesta terra. É uma lembrança que, certamente, será bem recebida pelo público, que, de ordinário, adora as novidades. Vai ser, por algum tempo, a mania, a maluqueira, a ideia fixa de muita gente. (...) A cultura física é coisa que está entre nós inteiramente descurada. Temos esportes, alguns propriamente nossos, (...) de cunho regional, mas por desgraça estão abandonados pela débil mocidade de hoje. (...) Somos, em geral, franzinos, mirrados, fraquinhos, de uma pobreza de músculos lastimável. (...) Fisicamente falando, somos uma verdadeira miséria. Moles, bambos, murchos, tristes – uma lástima! Pálpebras caídas, beiços caídos, braços caídos, um caimento generalizado que faz de nós o ser desengonçado, bisonho, indolente, com ar de quem repete, desenxabido e encolhido, a frase pulha que se tornou popular: «Me deixa...». (...) Não seria, porventura, melhor exercitar-se a mocidade eColor del textom jogos nacionais, sem mescla de estrangeirismo, o murro, o cacête,Color del texto a faca de ponta, por exemplo? (...) Ora, parece-me que o futebol não se adapta a estas boas paragens do cangaço. É roupa de empréstimo, que não nos serve. (...) Reabilitem
os esportes regionais
, que aí estão abandonados: o porrete, o cachação, a queda de braço, a corrida a pé, tão útil a um cidadão que se dedica ao arriscado ofício de furtar galinhas, a pega de bois, o salto, a cavalhada, e, melhor quetudo ,o camba-pé, a rasteira.
A rasteira!
Este, sim, é o esporte nacional por excelência!
melhor quetudo, o
(...) Cultivem a rasteira, amigos!
(...) Dediquem-se à rasteira, rapazes!”
in O Índio, “Palmeira dos Índios”,
10 de Abril de 1921

http://www.fl.ul.pt/aclus/Boletins/Bol_4_Jul_02.pdf

sábado, 19 de diciembre de 2009

Capoeiragem ,Joao do Rio e Coelho Neto, eximio capoeirista




História e linguagens: texto, imagem, oralidade e representações‎ - Página 207Antônio Herculano Lopes, Mônica Pimenta Velloso, Sandra Jatahy Pesavento - 2006 - 348 páginas
Na sua juventude, Coelho Neto fizera parte desse grupo que, reunido sob a ... Entrevistado por João do Rio, em 1905, na famosa enquete de Momento literário, ...


ARTÍCULO:


MINISTÉRIO DA CULTURA


Fundação Biblioteca Nacional


Departamento Nacional do Livro


A ALMA ENCANTADORA DAS RUAS


João do Rio


Nota: Em 1908, iluminada pelas primeiras luzes da modernidade, o Rio de Janeiro já se revelava, aos olhos mais sensíveis, como uma cidade multifacetada, fascinante, efervescente na democracia da ruas. Nesse ano, um cronista lança o livro "A alma encantadora das ruas", em que observa, deslumbrado, as novas relações sociais que se desenham no coração daquela seria mais tarde chamada a Cidade Maravilhosa. Seu nome: João do Rio................— Sim senhor. Capoeiragem é uma arte, cada movimento tem um nome. É mesmo comosorte de jogo. Eu agacho, prendo V. Sa pelas pernas e viro — V. Sa virou balão e eu entrei debaixo. Se eu cair virei boi. Se eu lançar uma tesoura eu sou um porco, porque tesoura não seusa mais. Mas posso arrastar-lhe uma tarrafa mestra.— Tarrafa?— É uma rasteira com força. Ou esperar o degas de galho, assim duro, com os braçospara o ar e se for rapaz da luta, passar-lhe o tronco na queda, ou, se for arara, arrumar-lhemesmo o bauú, pontapé na pança. Ah! V. Sa não imagina que porção de nomes tem o jogo. Sórasteira, quando é deitada, chama -se banda, quando com força tarrafa, quando no ar parabater na cara do cabra meia -lua.— Mas é um jogo bonito! fiz para contentá-lo.— Vai até o auô, salto mortal, que se inventou na Bahia.Para aquela lição tão intempestiva, já se havia formado um grupo de temperamentosbélicos. Um rapazola falou.— E a encruzilhada?— É verdade, não disseste nada de encruzilhada?E a discussão cresceu. Parecia que iam brigar.


Savate y Capoeira, Coelho Neto

Fuente recorte libro:

EXIMIO CAPOEIRA: Henrique Maximiano Coelho Neto (Caxias, 21 de fevereiro de 1864Rio de Janeiro, 28 de novembro de 1934) foi um escritor, político e professor brasileiro.
Biografia
Nascido em épocas antes na vila de Caxias interior do Maranhão. Foram seus pais Antônio da Fonseca Coelho, português, e Ana Silvestre Coelho, de sangue índio. Tinha seis anos quando seus pais se transferiram para o Rio de Janeiro. Fez os seus preparatórios no Externato do Colégio Pedro II. Tentou o curso de Medicina, logo desistindo. Em 1883 matriculou-se na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, morando na pensão em que vivia Raul Pompeia, que também frequentava a Academia de São Paulo à época. Seu espírito irrequieto encontrou ali ótimo ambiente para destemidas expansões, e logo ele se viu envolvido num movimento dos estudantes contra um professor. Antevendo represálias, transferiu-se para a faculdade de Recife, onde completou o primeiro ano de Direito, tendo sido aluno do jurista e poeta Tobias Barreto. Regressando a São Paulo, dedicou-se ardentemente à campanha abolicionista e republicana, atitude que rendeu-lhe novos atritos com o corpo docente da Faculdade do Largo de São Francisco. Em 1885 desistiu, por fim, de suas pretensões jurídicas, e transferiu-se para o Rio de Janeiro.
OS EXERCICIOS GYMNASTICOS NOIMPERIAL COLLEGIO DE PEDRO SEGUNDO
(1841-1870)Dr. CARLOS FERNANDO FERREIRA DA CUNHA JUNIORProfessor Adjunto da Faefid/UFJFE-mail: carlosjr22@hotmail.com...............................Ao que tudo indica, Pedro Meyer, para além da esgrima, desenvolveu um trabalho mais abrangente no CPII. Nesse sentido, é esclarecedor o relatório apresentado pelo inspetor geral da Instrução Pública do Município da Corte em 1859: Durante o anno passado começou a funccionar com a possivel regularidade o gymnasio do internato. Com pequena despeza se acha provido de um portico regular com varios apparelhos supplementares que permittem a maior parte dos exercicios da gymnastica pratica de Napoleon Laisné, ensinados pelo alferes Pedro Guilherme Meyer17. De acordo com o inspetor, Pedro Meyer teria ministrado lições de exercicios gymnasticos inspiradas na ginástica do francês Napoleon Laisné, discípulo do coronel Francisco Amoros y Ondeano, a principal figura da ginástica francesa, falecido em 1848. Laisné tornou-se um dos principais continuadores da obra de Amoros, desenvolvendo seu trabalho na Escola de Joinville-le-Point, local para o qual foitransferido em 1852, o principal ginásio antes dirigido pelo Coronel Amoros (Baquet, 199-). Segundo Carmen Lúcia Soares (1998), no método organizado por Amoros destacavam-se os exercícios da marcha, as corridas, os saltos, os flexionamentos de braços e pernas, os exercícios de equilíbrio, de força e de destreza, bem como a natação, a equitação, a esgrima, as lutas, os jogos e os exercícios em aparelhos, tais como as barras fixas e móveis, as paralelas, as escadas, as cordas, os espaldares, o cavalo e o trapézio. No CPII, atividades desse tipo foram implementadas por Pedro Meyer, mestre que introduziu na instituição os exercicios gymnasticos em aparelhos.
http://eu-bras.blogspot.com/2009/09/as-lutas-colegio-de-pedro-ii.html

sábado, 12 de diciembre de 2009

A Sociedade Dançante Familiar União da Juventude foi criada em 1901, sendo uma associação recreativa freqüentada por negros.

fuente:
Discriminaçoes raciais: Negros em Campinas(1888-1926) ,alguns aspectos. Dissertaçao de Mestrado, Cleber da Silava Maciel. UNICAMP.Dep.Hist.
Otra cita:
Nota del pesquisador:
¿QUIEN TERMINÓ CON LA CAPOEIRA EN LAS COCIEDADES DANZANTES DE NEGROS (siglo xx)?"

O GETULINO E O PROJETO EDUCATIVO-DISCURSIVO DE INTEGRAÇÃO E ASCENSÃO DO NEGRO NA SOCIEDADE BRANCA
José Geraldo Marques
Na realidade, a dimensão educativo-integracionista é dominante na IN paulista até o fi m dos anos 20, e não é, portanto, apenas uma particularidade do Getulino, segundo os estudiosos consultados. A questão da educação do negro era para a imprensa negra condição necessária para sua integração e ascensão social em uma sociedade branca que o via com preconceito e o repelia. Moura (1988, p. 205) coloca essa questão nos seguintes termos:
A preocupação com a educação é uma constante. O negro deve educar-se para “subir na vida”, conseguir
demonstrar que ele também pode chegar aos mesmos níveis do branco através do aprimoramento educacional. Para isso, deve deixar os vícios como o alcoolismo, a boemia, deve abster-se de praticar arruaças em bailes, deve ser um modelo de cidadão. Em quase todas as publicações é visível uma preocupação com uma ética puritana capaz de retirar o negro de sua situação de marginalização. Daí haver, em muitos deles, a condenação dos excessos em festas de negros que eram tidas pelos brancos como centros de corrupção e de desordens. Os jornais servem, portanto, para indicar, através de regrasmorais, o comportamento que deveriam seguir os membros da comunidade negra.
Pichadores e grafiteiros : manifestações artisticas e politicas de preservação do patrimonio historico e cultural da cidade de Campinas-SPTítulo Ana Celia Garcia de Sales
Segundo Maciel (1987, p. 78) as evidências maiores de resistência e luta foram as entidades assistenciais:
Sociedade Dançante Familiar União da Juventude (1901)- congregava atividades culturais e de lazer como jogos, danças, esportes e reuniões sociais e políticas; Federação Paulista dos Homens de Cor (1902)- atuação significativa principalmente em relação à organização política e social, destaque na comemoração do dia 13 de Maio; Liga Humanitária dos Homens de Cor (1915)-nasceu da união de 36 trabalhadores dos quais 24 eram negros. http://libdigi.unicamp.br/document/?code=vtls000439443

viernes, 11 de diciembre de 2009

CAPOEIRA: DE FOLCLORICA PARA UM LINDO ESPORTE NACIONAL

Naçao Mestiça: Discursos e praticas oficiais sobre os afro- brasileiros
Jocelio Teles dos Santos
CAPOEIRA: DE FOLCLORICA PARA UM LINDO ESPORTE NACIONAL Considerada oficialmente como folclore, a capoeira passou a ser regulamentada pelo Conselho Nacional de Desportos (CND), ligado ao Ministerio da Educafao e Cultura, como esporte nacional em maio de 1973. A partir desse periodo, desencadeia-se, a nivel oficial, seminarios como o realizado no Centro de Convencoes do Instituto Brasileiro de Administracao Municipal (IBAM) do Rio de Janeiro com a finalidade "basica de definir a composigao e a estrategia de acao para um Grupo Tarefa que devera estudar e operacionalizar a institucionalizagao definitiva da arte marcial brasileira", e o Seminario do Piano de Agio Integrada para o Jogo da Capoeira como o objetivo de reformular-se o seu regulamento.18 Esse fato resultou numa burocratizacao, pois o capoeirista para participar dos campeonatos, torneios e confrontos oficiais ou nao, necessariamente deveria estar vinculado a um clube ou associagao filiada a uma das federaçoes vinculadas a Confederagco Brasileira de Pugilismo (CBP) e estar inscrito no Registro Geral dos Capoeiristas do Brasil, pois a capoeira era considerada uma luta "eminentemente brasileira" integrante de uma modalidade desportiva do ramo pugilistico, e seu ensino ou aprendizado seria observado dentro das regras estabelecidas pela CBP. De acordo como o Departamento Especial da CBP, a capoeira era um "desporto de carater amadorista em todo o territorio nacional e uma luta que consiste num sistema de ataque e defesa, de origem folclorica, genuinamente brasileira". A leitura oficial do novo esporte nacional implicava er descrever caracteristicas, movimentos, enfim o modo como deveria ser praticado:

sao caracteristicas especiais da capoeira o movimento ritmado, cujo objetivo e de possibilitar que os praticantes se enfrentem ser que a forca bruta, o peso e as distancias deem vantagem a qualquer dos contedores e que tambem um so praticante possa enfrentar mais de um
adversario. A movimentacao constante, procurando manter-se a distancia, para nao ser atingido ou golpeado, agilidade, dominio do proprio corpo, riqueza de reflexos e grande senso de equilibrio, sao, tambem, outras caracteristicas da capoeira. A capoeira praticada como desporto de competiçao, consiste num confronto de destreza entre dois oponentes, atraves do desenvolvimento de situacoes e golpes aplicados com os pes, inclusive os auxiliados pelas maos, cabeca e pernas, observadas as limitacoes deportivas que proibem seja posta em perigo a integridade fisica dos combatentes.'
19


18 Jornal da Bahia, 02 e 03/06/1974.
19 A Tarde, 21/10/1974, Capoeiristas nao sabem que ja tem regulamento definido.
http://www.jstor.org/pss/3513987

jueves, 10 de diciembre de 2009

Contra os Capoeiras

Fuente:Revista Ilustrada




Capoeiras en la Guerra de Paraguay

FUENTE: Revista Ilustrada :25 maio 1878 n113 (recorte)

miércoles, 25 de noviembre de 2009


Mestre Pastinha et sa délégation sont invités à Dakar au Sénégal pour le Festival des Arts Nègres en 1966. comme participants sont présents João Grande, Roberto Santana, Gildo Alfinete, Camafeu de Oxossi qui enregistre en 1966 "Berimbaus de Bahia" dans les studios bahianais de Radio Sociedade.

martes, 17 de noviembre de 2009

CAPOEIRA, TRABALHO E EDUCAÇÃO

CAPOEIRA, TRABALHO E EDUCAÇÃO
Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia, como
requisito parcial à obtenção do grau de MESTRE EMEDUCAÇÃO.
Orientador: Prof. Dr. Pedro Rodolpho Jungers Abib.Co-orientadora: Profª Dr. Celi Nelza Zülke Taffarel.Salvador2007

Vinte anos depois do seu reconhecimento como esporte, pelo CND a capoeira desvincula-se oficialmente da CBP e, em 23 de outubro de 1992, funda-se a Confederação Brasileira de Capoeira (CBC). Essa entidade de administração desportiva25 tem o reconhecimento do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e está filiada à Federação Internacional de Capoeira (Fica). Esse passo favorecerá um maior desenvolvimento da capoeira através do modelo de esporte de alto rendimento, cujo contexto é o discurso da padronização, da normatização e da unificação. Esse amoldamento da capoeira a essa lógica “pode ser considerado uma forma de controle social, pela adaptação do praticante aos valores e normas dominantes defendidos para a ‘funcionalidade’ e desenvolvimento da sociedade” (COLETIVO DE AUTORES, 1992, p. 71). De início, a CBC apoiará o sistema CONFEF/CREF de forma incondicional, inclusive o presidente à época fará parte da diretoria do CREF 4, responsável pela cidade de São Paulo, o qual solicitará veementemente a inscrição dos seus próprios filiados aos conselhos profissionais de Educação Física dessa região. O envolvimento e as causas dessa parceria entre a CBC e o conselho de Educação Física são questionados:
Essa aproximação, de acordo com o presidente da CBC, tinha a finalidade de “lutar pela causa da Capoeira enquanto conselheiro de Educação Física”. No entanto, nos questionamos quanto ao tipo de luta que a CBC poderia desenvolver no interior do CREF/SP, uma vez que as cartas já haviam sido dadas devido ao próprio caráter da Lei de Regulamentação (SILVA, 2002, p. 177).
Pouco tempo depois, a Confederação retira o seu apoio ao órgão regulamentador, faz questão de divulgar sua desvinculação em vários meios de comunicação e passará a trabalhar em defesa própria.
No entanto, em março de 2001, ocorreu um fato importante, qual seja, o pedido de exoneração do presidente da CBC de suas funções no CREF-SP. Ele alegava que por “motivos éticos” não teria condições de continuar lutando pela causa de nossa “Arte Maior” e colocava à disposição de todos os capoeiristas (filiados ou não) a Confederação Brasileira de Capoeira,
para a tentativa de resolução de problemas referentes ao sistema CONFEF/CREF. Além disso, alertava para os perigos desta lei que, de acordo com ele, é a “pior de todas as anteriores juntas, podendo comprometer seriamente sua sobrevivência cultural”. Conclamava a necessidade dos capoeiristas estarem unidos e fortes para fazerem com que a Capoeira não fosse prejudicada mais uma vez na história, rogava para que estes não fizessem nenhum convênio com a entidade e ainda alertava que a real intenção do CONFEF era identificar, através dos endereços, as academias de Capoeira para uma possível ação repressora
(SILVA, 2002, p. 179)

Seguindo quase a mesma lógica do sistema CONFEF/CREF, a CBC tentará controlar ainda mais a capoeira, utilizando-se dos mesmos discursos do conselho: a necessidade da regulamentação da profissão. Recentemente, a capoeira, na visão do Ministério do Esporte (ME), é compreendida
como uma manifestação esportiva de criação nacional. Na realidade, trata-se de um projeto que visa a “garantir o desenvolvimento de atividades esportivas que caracterizam a nossa cultura, incentivando o resgate das tradições e promovendo a auto-estima do povo brasileiro” (MINISTÉRIO DOS ESPORTES, 2007).
Exemplos destas atividades esportivas são vários: esportes praianos, arquearia, canoagem, caça, pesca, lutas rituais indígenas, corridas em meio rústico, vaquejadas, corrida-de-argolinhas, derrubada de bezerro no laço, montaria de burro bravo, cavalgadas, saltos e trotes com eqüinos, muares, asininos, bovinos, regatas à vela de saveiros e jangadas, peteca, bocha e a capoeira (grifo nosso), entre outros (MINISTÉRIO DOS ESPORTES, 2007).
http://www.grupomel.ufba.br/textos/download/monografias/capoeira_trabalho_e_educacao.pdf

domingo, 15 de noviembre de 2009


UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA
FACULDADE DE EDUCAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO
NEUBER LEITE COSTA
Capoeira,Trabalho e Educaçao

.....................Ângelo Augusto Decânio (Mestre Decânio-Foto), outro importante aluno de mestre Bimba, na pesquisa de Costa (2001), também relatou que ele falava que a capoeira por si ó já era aquecimento e desaquecimento. A Regional sofreu inferências de seus praticantes, os quais, por sua vez, sofriam influências da sociedade daquela época. Os métodos de ginástica se enquadram nessa lógica de pensamento, atingindo em conteúdo e forma o trato com esse
conhecimento.
Nunca, ele nunca me ensinou ginástica [...] naquele tempo havia predominância da escola Francesa, que foi introduzida pelo Exército. Então qualquer atividade física era começada por aquecimento; a fase dos exercícios propriamente ditos e tinha a fase de desaquecimento ou de
retorno ao repouso [...] No começo Bimba fazia umas flexões inocentes: levantar a perna, agachar e tal e coisa [...] fazia um aquecimento sumário. A capoeira não depende de aquecimento nem ginástica nenhuma (DECÂNIO, apud COSTA, 2001, p. 33).

Decânio, apud Costa (2001), afirma que ele, juntamente com Cisnando e o Mestre Bimba, conversaram – "sempre a palavra final era do Mestre" – e resolveram que a capoeira não necessitava desses exercícios. Sendo assim, Bimba retoma as aulas de capoeira, em nossa opinião como devem acontecer, através da própria Capoeira. Contudo, posteriormente, podemos perceber que outros mestres da mesma época de Bimba, já no final da década de 60, utilizavam métodos ginásticos para ministrarem aulas de capoeira e descobrimos também que as aulas de Bimba, mais uma vez, foram envolvidas indiretamente por esses métodos.
Possivelmente eu, sem querer, introduzi essa questão da ginástica dentro da capoeira, porque na época eu já era atleta e gostava dessa parte de ginástica e depois em 1969 já comecei dar aula de ginástica e muitos colegas principalmente na aula de 2h e 3h pediam para que eu puxasse a aula. Então, puxar é fazer um aquecimento ali, antes da seqüência e até em
alguns momentos exercícios abdominais, ali. E então Mestre Bimba também nunca questionou essa situação e eu fazia aquelas corridas, levantamento, deita, levanta, corre muda de direção, entendeu? E algumas brincadeiras assim. E eram muito bem aceitas, mas, não com essa intenção também de criar essa expectativa, era uma coisa de forma bem natural, bem
espontânea de solicitação dos amigos ali, etc. Mas, que possivelmente isso acabou criando uma cultura hoje que é muito comum as pessoas fazer o aquecimento até mesmo por conta dos professores de Educação Física quando estão ministrando capoeira sabem da importância do aquecimento (CAMPOS apud COSTA, 2001, p. 32).
Realmente, a Capoeira Regional foi influenciada pela sociedade da época, através dos métodos de ginástica, e mestre Bimba, mesmo não concordando, acabou de um modo ou de outro, permitindo essa interferência, embora esse procedimento retarde a aula propriamente de capoeira.
Todavia já era tarde demais para uma possível retomada dos seus alunos e de outros capoeiristas que ajudaram a divulgar esse tipo de ensinamento da capoeira com exercícios ginásticos. Esse fenômeno extrapola os limiares da capoeira Regional e sua metodologia de ensino. Essas transformações se complicam ainda mais com alguns acontecimentos, como a inclusão, em 1961, da capoeira no currículo de ensino da Polícia Militar do Estado da Guanabara; a institucionalização da Confederação Brasileira de Pugilismo (CBp), em 1992; a oficialização da capoeira como esporte a 26 de dezembro de 1972, por intermédio do Departamento Especial de Capoeira, com regulamentos e normas para sua prática desportiva; a criação da primeira Federação Esportiva de Capoeira, em São Paulo e sua inserção, como já citamos, nas universidades como disciplina dos cursos de Educação Física.
http://www.grupomel.ufba.br/textos/download/monografias/capoeira_trabalho_e_educacao.pdf

lunes, 2 de noviembre de 2009

CAPOEIRA: DE FOLCLORICA PARA UM LINDO ESPORTE NACIONAL


Nação Mestiça: Discursos e práticas oficiais sobre os afro-brasileiros Author(s): Jocélio Teles dos Santos Source: Luso-Brazilian Review, Vol. 36, No. 1 (Summer, 1999), pp. 19-31 Published by: University of Wisconsin Press Stable
URL: http://www.jstor.org/stable/3513987

CAPOEIRA: DE FOLCLORICA PARA UM LINDO ESPORTE NACIONAL
Considerada oficialmente como folclore, a capoeira passou a ser regulamentada pelo Conselho Nacional de Desportos (CND), ligado ao Ministerio da Educafao e Cultura, como esporte nacional em maio de 1973. A partir desse periodo, desencadeia-se, a nivel oficial, seminarios como o realizado no Centro de Convencoes do Instituto Brasileiro de Administracao Municipal (IBAM) do Rio de Janeiro com a finalidade "basica de definir a composigao e a estrategia de acao para um Grupo Tarefa que devera estudar e operacionalizar a institucionalizagao definitiva da arte marcial brasileira", e o Seminario do Piano de Agio Integrada para o Jogo da Capoeira como o objetivo de reformular-se o seu regulamento.18 Esse fato resultou numa burocratizacao, pois o capoeirista para participar dos campeonatos, torneios e confrontos oficiais ou nao, necessariamente deveria estar vinculado a um clube ou associagao filiada a uma das federaçoes vinculadas a Confederagco Brasileira de Pugilismo (CBP) e estar inscrito no Registro Geral dos Capoeiristas do Brasil, pois a capoeira era considerada uma luta "eminentemente brasileira" integrante de uma modalidade desportiva do ramo pugilistico, e seu ensino ou aprendizado seria observado dentro das regras estabelecidas pela CBP. De acordo como o Departamento Especial da CBP, a capoeira era um "desporto de carater amadorista em todo o territ6rio nacional e uma luta que consiste num sistema de ataque e defesa, de origem folclorica, genuinamente brasileira". A leitura oficial do novo esporte nacional implicava er descrever caracteristicas, movimentos, enfim o modo como deveria ser praticado:

sao caracteristicas especiais da capoeira o movimento ritmado, cujo objetivo e de possibilitar que os praticantes se enfrentem ser que a forca bruta, o peso e as distancias deem vantagem a qualquer dos contedores e que tambem um so praticante possa enfrentar mais de um adversario. A movimentacao constante, procurando manter-se a distancia, para nao ser atingido ou golpeado, agilidade, dominio do proprio corpo, riqueza de reflexos e grande senso de equilibrio, sao, tambem, outras caracteristicas da capoeira. A capoeira praticada como desporto de competiçao, consiste num confronto de destreza entre dois oponentes, atraves do desenvolvimento de situacoes e golpes aplicados com os pes, inclusive os auxiliados pelas maos, cabeca e pernas, observadas as limitacoes deportivas que proibem seja posta em perigo a integridade fisica dos combatentes.19
As exigencias da CBP implicava para os associados "uma capoeira limpa", ou seja, um respeito total as leis e regulamentos por ela determinadas; esse fato pode ser observado como "um respeito por conven9oes" (cf. Douglas, 1976), assim como uma oposicao aos que praticavam um outro tipo de capoeira que causasse infracoes, danos, enfim uma capoeira "suja", pois "o consentimento de praticas reprovaveis ou ilegais aviltam a capoeira como desporto e se constituem na destruicao dos esforcos dispendidos por quantos almejarem a sua regulamentacao como pratica desportiva".20 Alem disso, a concepcao de uma capoeira "suja" utilizada pelo CBP relacionava-se corn a origem social de quem a praticava. Segundo Mestre Bimba:

capoeira era coisa para carroceiro, trapicheiro e estivador. Eu era estivador na ocasiao. A policia perseguia um capoeirista como se persegue um cao danado. Imagine so que o castigo que davam a dois capoeiristas que fossem presos brigando era amarrar um pulso num rabo de cavalo e o outro em cavalo paralelo. Os dois cavalos eram soltos e postos a correr em disparada ate o Quartel. Comentavam ate, em brincadeira, que era melhor brigar perto da Policia, pois houve muitos casos de morte nos cavalos. 0 capoeirista nao aguentava ser arrastado, em velocidade, pelo chao e morria antes de chegar a sede de Policia".21

E importante notar que tanto a CBP quanto o CND eram presididos por militares, o que faz ressaltar ao nivel do esporte nacional, uma consonancia de diretrizes tracadas corn a ideologia do periodo autoritario. Um exemplo disso foi a introducao da capoeira na Policia Militar da Bahia (PM-Ba.) como "uma utilidade do meio da defesa pessoal, alem de ser um perfeito sistema de condiçao fisica".22 Ao apoiar a valoriza9ao da capoeira como esporte, a PM-Ba. procurava divulga-la em outros estados brasileiros assim como formar "bons capoeiristas a fim de que este esporte seja difundido dentro de um metodo certo de ensino". Enfim, objetivava acabar com a imagem outrora da capoeira de "esporte de malandro", e, por isso, esperava contar com o apoio "das autoridades e das entidades de classes". A capoeira que saia, na visao oficial, da marginalidade, de luta de negros, para a sacralizacao de "um esporte brasileiro", poderia ser assistida, como competicao, atraves da Academia de Policia Militar da Bahia, em colegios, clubes sociais ou qualquer outro orgao puiblico ou privado, sem qualquer 6nus, pois a meta era divulgar o "lindo esporte". Se o intuito era dar a capoeira um carater de brasilidade, convinha tambem que fosse adotada em outros quarteis do pais, como os da Guanabara e Sao Paulo. Alem disso, o comandante da Policia Militar da Bahia propunha fundar a Federacao Baiana de Capoeira. Para isso seria preciso buscar o apoio do governo federal. A dupla acepcao presente na capoeira, esporte nacional/folclore, pois o Departamento Especial da CBP considerava-a como "um desporto de carater amadorista em todo o territorio nacional e uma luta que consiste num sistema de ataque e defesa, de origem folclorica, genuinamente brasileiro", deve ser compreendido como um continuo de representacoesja elaborados desde o seculo XIX. Como mostra Leticia V. de S. Reis (1993), a apropriacao simbolica da capoeira como esporte nacional ocorre no final do seculo XIX, atraves de folcloristas, militares e escritores no sentido de retirar a sua heranca africana e caracteriza-la como a "gymnastica nacional" resultante da mesticagem racial.
18 Jornal da Bahia, 02 e 03/06/1974.
19 A Tarde, 21/10/1974, Capoeiristas nao sabem que j tem regulamento definido.
20 Ibid.
21 Jornal da Bahia, 27/01/1973, Bimba vai embora por falta de apoio.
22 A Tarde, 21/10/1974, Capoeira na Bahia ja nao 6 s6 um folclore.
fuente: http://docs.google.com/gview?a=v&q=cache:Ktk_af5WE28J:canafro.iglooprojects.org/download/library/politicalr/nacaomesti+Bimba+%22Jornal+da+Bahia%22+27+janeiro+1973&hl=es&gl=es&pid=bl&srcid=ADGEESiNtaxutRpEO4gfxEm2EIthKVwQvNLAof4ulm1c07v6dTA7ElX96KTz7pQqS4X1qCsNTCM3MhMa3zNvKSrgORP4vZy85XcKC4GUCAy16hCn8-uuRlvUu_IUPpcqdhpu00rXSLik&sig=AFQjCNH1tnTJatO2jOijONj46eoANUkfMw